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terça-feira, 7 de junho de 2011

Mistério na Vila Velha

Sintra Património Mundial tem palácios, museus,recantos,  portentosas árvores testemunhas de muitas primaveras e inúmeros invernos. Mas infelizmente muito ressalta ainda a decadência de algum do seu património, para cultores do belo horrendo eventualmente inspirador, como Nosferatu em pedra, mas de todo o modo símbolo do pouco carinho que o património ainda inspira.Aqui fica um exemplo, aliás já batido: o  desaparecido telhado do edifício do Café Paris. Até há cerca de um ano lá estava, com o aspecto que a foto abaixo documenta, péssima imagem para quem chegava da Volta do Duche, a inscrever como exemplo da impotência do Poder em obrigar a Fazer. Não se tendo restaurado, zás, solução expedita, tirou-se e pronto, remédio santo!. Um dia já ninguém se  lembrará dele, que a memória é curta e a obra cara. Já agora porque não fazer o mesmo com a Gandarinha, o Bristol, a casa do Marquês de Pombal, as construções no fundo da Volta do Duche e o Hotel Neto?
Muitos trolls  deambulam ainda soltos nas neblinas de Sintra, quem sabe foram eles quem roubou o telhado, afinal.A ver se como nos contos de fadas a história tem um final feliz e sem telhados de vidro.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Democracia enquanto reality-show


Não sendo comentador político, mas não sendo apolítico, gostaria de aqui deixar algumas notas sobre o acto eleitoral de 5 de Junho, apontando algumas ilações que dele (e dos últimos actos eleitorais, em geral), em minha opinião se devem extrair.
Em primeiro lugar, confirma-se a consolidação da abstenção como fenómeno endémico e que veio para ficar. Não chega o argumento de que o fenómeno é já corrente nas democracias ocidentais. A verdade é que descontando os abstencionistas e os que votam em partidos sem ser os vencedores, apenas 2,8 dos 10 milhões de portugueses ficaram representados no novo ciclo de governação, o que, não deslegitimando de forma alguma no plano das regras os vencedores da noite - estes ou outros, noutras ocasiões - dá que pensar, e, apesar de sempre que ocorrem eleições se falar da necessidade de reflectir sobre a abstenção e suas causas, a verdade é que contados os votos, deitados os foguetes e distribuídos os empregos ninguém volta a falar do assunto ou faz mea culpa, dando um contributo para a reversão da situação.
Os partidos em Portugal tornaram-se corporações de interesses e sindicatos de lóbis, divorciados da sociedade e agarrados a dogmas, capelas e clientelas, e aqui incluo até os da esquerda dita anti-sistema, no fundo também ela em busca de um sistema, diferente, mas sistema.
Toda a nossa cultura e praxis política carece porém de ser alterada, a começar nas mentalidades, algo difícil, pois até os jovens que se envolvem na política acabam por corporizar e encaixar no discurso dominante e suas representações formais, reproduzindo tiques e mimetismos das gerações anteriores e promovendo a cultura de facção, apesar das novas roupagens e recursos supostamente irreverentes e modernos, mas no fundo em tirocínio para mais do mesmo.
A causa para este estado comatoso deve ser procurada essencialmente na sociedade blindada e supérflua  em que nos tornámos, atávica no maniqueísta apontar dos bons e dos maus, do permanente Benfica-Sporting( ou Porto…), reduzindo  a política a um fait-divers ou  concurso de simpatias. Ontem, uma televisão ao anunciar o vencedor da noite eleitoral, utilizou mesmo um sistema de gráficos acompanhado por música trepidante, procurando suscitar nos espectadores/eleitores um tipo de  suspense semelhante ao usado no Big Brother, dramaticamente anunciando quem os portugueses tinham expulso da casa, como se eleições  e política não passassem de mais  um reality show em prime time….. Tudo espectáculo, e contudo, com total ausência de discussão das escolhas ou real debate de ideias , se é que ainda há ideias, mortos que estão os Ideais.
A sociedade portuguesa é avessa e diletante no que a um profundo e cirúrgico debate de ideias efectivamente respeita, deixando o debate político nas mãos de dois ou três grupos de media politicamente engajados e veiculando uma opinião publicada nem sempre traduzindo a verdadeira opinião pública, permeável ao tilintar de sound bites e chamando política às folclóricas arruadas que anunciam a chegada do circo à cidade. Daí que, instalado e larvar, o novo rotativismo vá secando o país que pensa, que tem ideias, que quer inovar, qual eucalipto invasivo neste pinhal à beira-mar plantado, capturado pelos rituais tribais, a emulação dos chefes, a domesticação dos conversos e a frenética venda de realidade virtual. Esse país continua por aprofundar, com ou sem eleições,e só quando o ciclo das claques sem cérebro se esgotar( se alguma vez se esgotar)  e todos, transversalmente, oriundos daquilo  que até há pouco se chamava esquerda e direita reflectirmos seriamente sobre o que somos e queremos, poderemos começar então a tentar mudar este país na sua essência, forças e fraquezas, para lá da mera troca de rostos e protagonistas. Tarefa difícil,  porém aquela que vale a pena perseguir, por difícil ou ciclópica que seja.
Ontem, na liturgia do reality-show eleitoral, uns ganharam o poder, parabéns, outros perderam-no, para a próxima será, a verdadeira mudança, porém, está ainda longe de ganhar  nas urnas (se o voto é a festa da democracia é tétrico celebrá-lo em urnas…) pois enquanto tal revolução de ideias e comportamentos não ocorrer, o Portugal que quer e tem de mudar ciclicamente ficará entregue às troikas do fado, como cadáver adiado e órfão da esperança.
Alguém porventura viu os partidos reunir com as universidades, organizar debates aprofundados, sentar a massa cinzenta à mesa a discutir soluções, e ouvir, argumentar, pensar o país real, para lá dos brejeiros beijos às peixeiras, as arruadas ruidosas e os comícios (e bebícios...) de bifanas e febras durante quinze esquizofrénicos dias?
Novos paradigmas precisam-se, auscultando a sociedade, deitando-a no psicanalista,aprofundando o diagnóstico. Não podem nem devem os sequiosos de mudanças ficar porém por aí ou mero protesto, nas acampadas folclóricas ou pelas páginas no Facebook. Mudar impõe uma atitude activa, não por reacção ao adversário ou sem saber para onde, arregaçando as mangas e interiorizando a verdadeira democracia virada para as pessoas e o seu anseio por felicidade e futuro. Esse o debate, essa a causa mobilizadora que a sociedade portuguesa ainda não levou a sério, sobretudo por tacanhez e fraqueza das suas anémicas elites, insistindo em não ver a floresta para além da árvore. Enquanto tal estado de coisas continuar, enquanto a forma se sobrepuser à essência, a abstenção e o divórcio dos cidadãos continuarão a aumentar e o país enfrentará o desencanto que perigosos chamamentos de  sereia poderão um dia atrair para perigosos rumos.
PS- Este não é um texto de um pessimista. É apenas o texto de um optimista avisado.

domingo, 5 de junho de 2011

Legislativas 2011-Resultados de Sintra

Partido

% votos
nº votos
PSD

31,8%           
55.614
PS
     
28,6%
49.928
CDS-PP
        
14,1%
24.675
CDU

 9,4%
16.344
BE

 6,3%
10.971

PAN
            1,6%
              2.716
MRPP
            1,2%
              2.175
PNR
            0,7%
              1.175
MEP
            0,5%
                 911
MPT
            0,4%
                 701
PPM
            0,4%
                 643

PPV                
0,2%
                 424
PTP
0,2%
                 411
PND
0,2%
                 309
P.H.
0,2%
                 284
POUS
0,2%
                 256



Os presidentes da Câmara de Sintra


Nos últimos 50 anos Sintra conheceu 11 presidentes da Câmara Municipal. Antes do 25 de Abril, o cargo não era electivo, mas por nomeação, sendo os presidentes geralmente da confiança do partido único, a União Nacional.


Desde 1958, e substituindo César Moreira Baptista (1953-1958) ocupou o cargo o prof. Joaquim Fontes, médico e homem de cultura. No seu tempo, o Hóquei Club de Sintra foi campeão de Portugal em hóquei em patins e Nafarros, S.João das Lampas e Gouveia inauguraram a luz eléctrica. Morreu no cargo, de doença súbita, em 10 de Setembro de 1960.
Sucedeu-lhe o Visconde de Asseca, D. António Correia de Sá,(1961 a 1968), período no qual as relíquias de D.Nuno Álvares Pereira vieram a Sintra, foi inaugurada a iluminação pública no Largo Rainha D.Amélia, na Vila Velha, e abriu o Hotel das Arribas( tudo em 1961).
Em 1962 foi  criada a freguesia de Algueirão-Mem Martins,por influência de Isaías Paula, João Cordeiro e Francisco Fernandes entre outros, Lourel de Cima inaugurou um chafariz público, em Maio decorreu a inauguração da Tabaqueira, das novas instalações do Hóquei Clube de Sintra e do Colégio D. Afonso V, já em Outubro. 
Em meados da década começa a urbanização de zonas como Algueirão e Rio de Mouro e abre o Hotel Miramonte, em Colares. Por essa altura se inauguraram igualmente as piscinas da Praia Grande e a estrada Várzea de Sintra-Fachada. Infausto, um incêndio na serra de Sintra em Setembro de 1966 provocou 25 mortos entre os militares que o combateram, e em Novembro de 1967  as cheias na zona de Lisboa afectaram Cacém, Belas e Queluz provocando 12 mortos na região de Sintra.A 10 de Janeiro de 1968, aos 67 anos o presidente da Câmara D.António Corrêa de Sá, visconde de Asseca, presidente desde 1961 e vereador de 1947 a 1960,testamenteiro de D.Manuel II e sua esposa Augusta Victória  e chamberlain da rainha D.Amélia já no exílio, morre, de doença prolongada.
Sucede-lhe em Abril de 1968 o coronel Joaquim Mendonça Duarte Pedro, antigo governador de Cabo Verde . Nesse período surge a electrificação do campo de jogos do 1º de Dezembro, a iluminação pública em Sacotes, a luz eléctrica em Campo Raso e na Ulgueira, abrem o grémio da Lavoura de Sintra e a ponte de Colares, ergue-se a antena de televisão de Janas , realiza-se a I Feira Agro-Pecuária de S. João das Lampas, em Colares ocorre a milionária festa Schlumberger. A 3 de Julho de 1969, pouco mais de um ano depois, o coronel Duarte Pedro demite-se.
É então a vez de António Pereira Forjaz, antigo presidente do Sport União Sintrense e figura da vida local, que exerceu o lugar a partir de Janeiro de 1970.

Durante o seu mandato, que durou até ao 25 de Abril de 1974, foi inaugurado o Bairro Administrativo de Queluz e o posto de turismo do Cabo da Roca, a luz eléctrica em S. Marcos, as novas instalações da Biblioteca de Sintra no Palácio Valenças, o posto de correios da Praia das Maçãs. João Pimenta inicia a urbanização intensiva na zona de Sintra com as construções J.Pimenta e  ganham regularidade os Encontros de Sintra.
Depois do 25 de Abril, só a 14 de Junho, toma posse uma Comissão Administrativa, composta por José Alfredo Costa Azevedo (presidente) José Joaquim de Jesus Ferreira, Aristides Campos Fragoso, Lino Paulo, Jorge Pinheiro Xavier, Cortêz Pinto, Álvaro de Carvalho, Manuel Monteiro Vasco,Carlos Quintela, António Manuel Carvalheiro, Manuel Maximiano e Mário Barreira Alves. 

Foi um período conturbado e de mudanças. Em Maio de 1975  procedeu-se à inumação das cinzas de Ferreira de Castro na serra de Sintra e em Junho desse ano à inauguração a estátua de D.Fernando II no Ramalhão, tributos pelos quais se bateu José Alfredo Costa Azevedo. José Alfredo abandona a Comissão Administrativa em Fevereiro de 1976, agastado, ficando no seu lugar  até ás primeiras eleições autárquicas, em Dezembro desse ano Cortêz Pinto.

Inicia-se então o período democrático regular, com vereações eleitas por 3 anos e a partir de 1985 para mandatos de quatro. 
A 12 de Dezembro de 1976, o tenente-coronel Júlio Baptista dos Santos  foi eleito primeiro presidente da câmara depois do 25 de Abril e Maria Barroso presidente da Assembleia Municipal(depois substituída por José Valério Vicente).

O PS elegeu 6 vereadores ( Júlio Baptista dos Santos, Rui Fonseca ,Sérgio Melo, Alcides Matos, Oliveira Barbosa e Valério Chiolas) a FEPU 3(Lino Paulo, Cortêz Pinto e Mário Alves) o PPD 1(Eduardo Lacerda Tavares) e o CDS 1(Fernandes Figueira).
 Nesse período foi inaugurada em Mem-Martins a cooperativa de ensino A Papoila e o miradouro de Santa Eufémia. Em Setembro de 1977, o Museu Anjos Teixeira. Em 1978, a Academia da Força Aérea na Granja do Marquês.
Em Dezembro de 1979, o despachante alfandegário José Lopes é eleito presidente da CMS pela AD. Nesse inicio da década de oitenta, Sintra assistiu a um crescimento ainda moderado do urbanismo e das zonas urbanas, a par das preocupações com a protecção da serra e o litoral. Politicamente a década foi marcada por gestões autárquicas da Aliança Democrática com forte presença da Aliança Povo Unido na gestão da CMS.
Na Câmara presidida por José Lopes foram vereadores Lino Paulo, Júlio Baptista dos Santos, Germano Coutinho, Jaime da Mata, Machado de Souza, Mário Alves, Teves Borges, Jaime Alcobia, Frederico Estêvão e José Valério Vicente. Jaime Figueiredo Gonçalves foi presidente da Assembleia Municipal. Por esses dias foi inaugurada a sede da Associação de Comerciantes de Sintra, na Estefânea, e o polémico Hotel Tivoli, na Vila. Foi criada a Área de Paisagem Protegida de Sintra-Cascais e inaugurados a escola primária da Várzea de Sintra , o Museu Ferreira de Castro e a Repartição de Finanças do Cacém, entre outros melhoramentos.
Em Dezembro de 1982, é a vez de Fernando Tavares de Carvalho da AD vencer as eleições autárquicas com 37294 votos, ficando a APU a 1500 votos com 35790. Foram  vereadores Lino Paulo, Raúl Curcialeiro, Salvador Correia de Sá, Jaime da Mata, Correia de Andrade, Hermínio dos Santos, Vera Dantas, Fernando Costa, Megre Pires e Felício Loureiro.  Joaquim Bento Sabino presidiu à Assembleia Municipal. 

Tavares de Carvalho cumpriu dois mandatos, até Dezembro de 1989, período no qual renasceu o Instituto de Sintra, com António Pereira Forjaz como presidente e Francisco Costa presidente da Assembleia Geral, abriu a estação dos correios da Portela de Sintra e ocorreram as calamitosas cheias de 1983. A Câmara  aprovou a primeira fase das urbanizações do Grajal e de Fitares, com projecto inicial de 2000 fogos e foi lançada a primeira pedra do Hóquei Clube de Sintra em Monte Santos, inauguradas escolas primárias na Portela de Sintra, Magoito e Lourel. A vida cultural teve algum realce, na década, com o aparecimento do grupo de teatro CIDRA, o I Encontro de Poetas Populares do Concelho de Sintra ou o Congresso Internacional do Romantismo. Em Dezembro de 1985 a AD(PSD/CDS)  volta a ganhar as eleições autárquicas, com 32181 votos sendo Fernando Tavares de Carvalho reconduzido, a APU de Lino Paulo ficou a 700 votos com 31469. O brigadeiro Machado de Souza foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Sintra. Neste segundo mandato, a Rádio Ocidente inicia emissões, é criado o GRAUS com vista à recuperação do centro histórico de Sintra, nasce a CHESMAS -Cooperativa de Habitação Económica, e o teatro  Chão de Oliva, impulsionado por João Melo Alvim e Maria João Fontaínhas. Decorrem as I Jornadas de Teatro de Sintra, participando grupos como Os Filhos do Povo, de Montelavar, o Teatro da Sociedade, de Sintra, Masgiruz, de Queluz e outros, e nasce a Orquestra Regional de Colares, sob inspiração de David Tomás e Fernando Moreira. 
Em 1988  Algueirão-Mem Martins é elevada a vila e é criado o Instituto D.Fernando II. A Assembleia da República aprova a criação da freguesia de Pêro Pinheiro e Sintra gemina-se com a cidade marroquina de El Jadida (antiga Mazagão), abre a   Escola Profissional de Recuperação do Património.
Chega Dezembro de 1989  e o industrial e comendador João Francisco Justino é eleito presidente da Câmara como independente pela lista PSD/CDS, com 34% dos votos.A CDU teve 31% e o PS 29%.

Da nova Câmara faziam parte Rui Silva, Ferreira dos Anjos, João Carlos Cifuentes, Lino Paulo, Jaime da Mata, Felício Loureiro, Vera Dantas, Correia de Andrade, Álvaro de Carvalho e Pinto Simões. Rómulo Ribeiro é presidente da Assembleia Municipal.Decorre a I Trienal de Arquitectura de Sintra, inaugura-se o novo relvado do Sintrense, mas ao longo do ano de 1990 degrada-se a relação entre o presidente Justino e o vereador do CDS Ferreira dos Anjos, originando sindicâncias à Câmara de Sintra, até que em Outubro desse ano o PSD lhe retira o apoio político. Abre o mercado de Mem Martins e surge a cooperativa cultural Veredas. Depois dum período conturbado João Justino perde o mandato no Tribunal Administrativo, sendo substituído em 1992 pelo vice-presidente Rui Silva, do PSD, que completou o mandato, no meio de alguma turbulência política.
Em 1994 e até 2001(2 mandatos) ocupou a presidência a socialista Edite Estrela, num período em que Sintra subiu a Património Mundial da Humanidade, se concluiu o IC-19, abriram o Centro Cultural Olga de Cadaval e o Museu de Arte Moderna, a Câmara adquiriu a Quinta da Regaleira e foi criado o Parque Natural de Sintra-Cascais.Sintra tem agora 20 freguesias e roça os 400.000 habitantes.

Foram vereadores nesse período Álvaro de Carvalho, Pinto Simões, Lino Paulo, Estrela Ribeiro, Viegas Palma,Fausto Caiado,Matos Manso, Rui Pereira, Baptista Alves entre outros. Fernando Reino e Jorge Trigo presidiram à Assembleia Municipal.
Em Janeiro de 2002 o social-democrata Fernando Seara venceu as eleições, ocupando o lugar pela terceira vez, com mandato até  2013.Foram vereadores neste período Marco Almeida, Luís Patrício, Lino Ramos, Ana Duarte, Paula Simões, Luís Duque, Baptista Alves, Guadalupe Simões, João Soares, Ana Gomes, Rui Pereira, Domingos Quintas, Eduardo Quinta-Nova e Ana Queirós do Vale. Ribeiro e Castro e Angelo Correia foram presidentes da Assembleia Municipal. Neste período tem-se vindo a dar a transferência para a câmara de muitas competências na área da educação, sendo a prioridade orçamental a acção social, numa altura em que Sintra se encontra à beira de destronar Lisboa como primeiro concelho do país, um dos mais jovens e multiculturais.Sintra aderiu à Aliança das Paisagens Culturais e surgiu a Parques de Sintra-Monte da Lua como gestora da área do património mundial, inaugurou-se o Centro de Ciência Viva, a Casa Mantero e o novo Tribunal, o Museu de História Natural e a Casa de Cultura de Mira Sintra.

sábado, 4 de junho de 2011

Sintra Rural- Os dias do Ramisco

Um vídeo sobre a vida dos trabalhadores rurais em Sintra nos anos trinta, na faina do ramisco. Música e letra da canção de José Fernandes Badajoz, poeta popular do Mucifal.

O Salão de Galamares, glória nos anos 20

Existe em Galamares um cineteatro datado do princípio do século, onde durante anos, mercê da generosidade do visconde de Monserrate se realizaram récitas musicais, teatro amador, cinema, etc, num espaço romântico de fim de século, com balcão e plateia, decorado com pinturas murais e baixos- relevos.
O restauro deste espaço é importante. Trata-se do único espaço público de Galamares, ali tocou Viana da Mota em 1923,e se fez teatro desde 1920. Sobre o mesmo teatro e sua actividade, escrevia o “Ecco Artístico” em Dezembro de 1924:
“Todos os que frequentam a pitoresca villa de Cintra conhecem o verdejante logarejo de Gallamares, na estrada nova de Collares.Situado entre quintas e prados floridos, a sua disposição é lindíssima, apresentando toda esta região um aspecto rústico e cheio de frescura, que caracteriza o nosso campo.
Pois n’esta pequenina aldeia, semi escondida entre arvoredos, existe um theatro há pouco construído, digno de ser anotado nas colunas do Ecco(….).A ideia da construção do theatro data de 1916.O Sr Guilherme Oram, intelligente administrador das propriedades do Visconde de Monserrate é a alma d’esta iniciativa artística. Grande amante de tudo o que se relacione com o theatro, já há muitos annos que nas épocas das ferias da escola de Monserrate organisava recitas no salão d’essa escola, recitas em que se representavam comedias mais ou menos applaudidas. D’essas noites bem passadas veio a verdadeira origem da construcção d’um pequeno theatro  onde se podessem entreter as principaes famílias d’aquelles sítios,aliando-lhe o sympatico fim de tirar os operários das vias do jogo e da taberna, por isso que lhes proporcionava um passatempo agradável, pois Guilherme Oram pensou e pensa em organizar um orpheon para aquella gente humilde e trabalhadora poder cantar os cânticos das nossas províncias, as quadras nascidas na alma triste e romântica do nosso povo.
O theatro em pouco tempo appareceu, tendo trabalhado n’elle com raro denodo os operários de Monserrate, sob a direcção de Guilherme Oram.Antonio Graça, mestre dos pintores da casa Monserrate, pintou os panneaux da salla e o panno de boca. Infelizmente, este artista morreu pouco tempo depois da inauguração do theatro.Os restantes scenarios teem sido pintados por Júlio Fonseca e Garibaldi Martins, que teem demonstrado muita habilidade e fino gosto.
O sr.Oram com o seu ideal artístico assim realizado, tem organizado recitas muito interessantes, e já neste theatro deu um recital de piano o pianista Vianna da Motta.
O verão passado fomos pela primeira vez ao theatro Monserrate, em uma noite em que se representou uma revista em 2 actos e 3 quadros, intitulada Sem pés nem cabeça, critica engraçada aos costumes e pessoas conhecidas de Cintra, original de José Teixeira. Este novel escriptor soube produzir uma revista cheia de ditos engraçados e de profunda critica, sem nunca usar d’um termo picante, obsceno, caso raro entre nós!
Todos os amadores representaram com distinção, tendo havido números muito bem cantados; no entanto, devemos destacar D.Lily Pereira Teixeira, D.Delfina Domingues, D.Umbelina Silva, D.Amalia Cardoso, Jose Teixeira, Francisco Cardoso e Urbano James.
                                              Guilherme Oram
Os compéres foram Guilherme Oram e Eduardo Fructuoso, que mais pareciam artistas feitos do que simples amadores.
A sra D.Maria do Carmo Cunha Fructuoso acompanhou no piano todos os trechos da revista, com a maxima correcção.

50 Anos da Amnistia Internacional



Passam a 4 de Junho 22 anos sobre o massacre de Tiananmen, numa altura em que a Amnistia Internacional comemora 50 anos (os nossos parabéns, na pessoa dos responsáveis pelo Grupo 19 de Sintra, que têm vindo a dinamizar o facto com exposições e conferências).
O Governo Chinês tem-se recusado a levar a cabo um inquérito aberto, independente e imparcial aos acontecimentos dos dias 3-4 de Junho, apesar dos apelos dos governos estrangeiros. Mas é necessário que a justiça acabe por prevalecer e que as vítimas e suas famílias não sejam esquecidas. Nesse sentido a Amnistia Internacional - Secção Portuguesa pede a todos os seus activistas e simpatizantes que assinem o apelo que será enviado para o Primeiro-Ministro da República Popular da China, com cópia para o Embaixador da China em Portugal.
Dois dias antes do 22º Aniversário  o Governo Chinês tentou, de forma discreta, negociar uma indemnização à família de uma das vítimas desse massacre.
Esta notícia é insólita porque diz respeito a apenas uma de entre milhares de vítimas e porque os responsáveis chineses nunca assumiram a sua responsabilidade por esses sangrentos acontecimentos e muito menos admitiram discutir o assunto com os familiares das vítimas, cuja associação – Mães de Tiananmen – tem sido alvo de perseguições por lutarem pela reabilitação do nome dos seus entes queridos e pela divulgação oficial do número de mortos dos dias 3 e 4 de Junho de 1989. Esta notícia pode ser um sinal de que a China quererá mudar de atitude em relação à apreciação desse terrível evento, que anualmente ensombra a sua imagem perante o mundo em que tem vindo a desempenhar um papel relevante.
Uma vontade sincera de assumir as suas responsabilidades implicaria a divulgação do número e nome das vítimas e a sua reabilitação, o diálogo sincero com todos os seus familiares e um inquérito e julgamento dos responsáveis pelos acontecimentos. Ao invés, vários activistas defensores dos direitos humanos continuam a ser condenados por terem participado nos acontecimentos da Praça de Tiananmen ou por terem pedido publicamente justiça para as vítimas. Desde Fevereiro, A Amnistia Internacional obteve informações sobre mais de 130 casos de activistas, “ bloggers“, advogados e outros que foram detidos pela polícia, sujeitos a intimidação e monitorização pelas forças de segurança ou que desapareceram. Muitos enfrentam acusações vagas mas perigosas de “incitamento à subversão”. Entre eles constam:
Chei Wei: activista de Sichuan (defensor das famílias das crianças mortas no terramoto de Sichuan, soterradas sob os escombros de escolas mal construídas) levado pela polícia em 20 de Fevereiro de 2011 e acusado de “incitar à subversão do poder do Estado”.
Ding Mao: Também activista de Sichuan e fundador do Partido Social Democrático, cujo reconhecimento legal foi recusado. Foi detido em 19 de Fevereiro de 2011 e acusado de “incitamento à subversão”.
Li Hai: foi detido pela polícia em 26 de Fevereiro de 2011, sob suspeita de “provocar perturbações públicas” por divulgar a Revolução de Jasmim no Médio Oriente. Aguarda julgamento. Li Hai já tinha sido detido em meados dos anos 90 por “divulgar Segredos de Estado”, depois de ter compilado uma lista de pessoas aprisionadas depois dos protestos de 1989 em Tiananmen,
Wang Lihong: médica, foi colocada em regime de vigilância no dia 20 de Fevereiro de 2011 e detida no dia seguinte. Foi acusada de “juntar uma multidão para perturbar a ordem pública”.
Liu Xiaobo: académico e poeta, co-autor da Carta 08, Prémio Nobel da Paz de 2010, condenado a 11 anos de prisão em 25 de Dezembro de 2009. Liu Xiaobo, que fora anteriormente detido pelo seu papel nos acontecimentos de 1989, dedicou o Prémio Nobel às vítimas de Tiananmen.
Amnistia Internacional: onde as trevas da opressão dominarem os povos, uma vela se acenderá nas consciências de muitos. Só o medo de ser livre pode criar o orgulho de ser escravo.
Parabéns à Amnistia Internacional!
                                        

sexta-feira, 3 de junho de 2011

2011,Ano Internacional das Florestas


2011 é o Ano Internacional das Florestas. As florestas cobrem 31% de toda a área terrestre do planeta e têm responsabilidade directa na garantia da sobrevivência de 1,6 biliões de pessoas e de 80% da biodiversidade terrestre. Pela sua importância, merecem ser mais preservadas e valorizadas e, por isso, a ONU declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas. As florestas são capazes de movimentar cerca de 327 biliões de dólares todos os anos, mas infelizmente o mundo debate-se com a triste realidade da desflorestação. A ideia deste Ano, é a da promoção de acções que incentivem a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta existentes, mostrando que a sua exploração sem sustentabilidade pode causar uma série de prejuízo irreversíveis, como a perda da biodiversidade; o agravamento das mudanças climáticas, o incentivo a actividades económicas ilegais ou o estímulo à construção clandestina.
A importância do sector florestal em Portugal é inquestionável. A floresta ocupa 38 % do território de Portugal continental, com diferentes taxas de arborização nas várias regiões do País, verificando-se que o pinheiro bravo (Pinus pinaster), o sobreiro (Quercus suber) e os diversos tipos de eucalipto são as espécies mais representativas e, também, de maior interesse económico, ocupando no seu conjunto quase 75 % da área de floresta. Portugal é igualmente o país da União Europeia com mais floresta nas mãos de proprietários privados que, em grande parte, se defrontam com a sua baixa rentabilidade. Este problema tem particular incidência na floresta do Norte e do Centro, assim como nalgumas áreas serranas do Sul, traduzindo-se num défice de gestão das áreas florestais a que se vem juntar o crescente abandono de muitas áreas agrícolas. Esta situação é uma das principais responsáveis pela dimensão do flagelo dos incêndios, que vem tomando, nos últimos anos, proporções de calamidade pública. A expansão do Eucalipto (essencialmente o Eucalyptus globulus) é recente e coincide com o crescimento da indústria papeleira, responsável pela gestão de cerca de 30% dessa área, na qual se abastecem em cerca de 20% do volume total de madeira consumida.
Sintra é particularmente representativa da intervenção humana na floresta. Por se erguer perpendicularmente à linha de costa, a serra de Sintra é o primeiro obstáculo natural que os ventos húmidos do Atlântico encontram interceptando o seu percurso. Isso permite um microclima mediterrânico de feição oceânica, com níveis de humidade característicos dos climas subtropicais. A protecção proporcionada pelas  copas e a manta morta gerada pela queda das folhas e ramos, contribuem para a manutenção de temperaturas e de níveis de humidade no solo propícias ao desenvolvimento da grande diversidade de espécies que aqui podemos encontrar, na  sequência da construção de autênticos parques românticos. Aqui pontificam o  cedro-do-Buçaco, da América Central, a Búnia-Búnia, da Nova Caledónia, a  Araucária  de Norfolk, o Ginkgo da China ou  a magnólia americana, numa miríade de clorofila e orvalho redentores da verdadeira Floresta Mágica.Sendo 2011 igualmente o Ano Europeu do Voluntariado, porque não aproveitar para em conjunto com técnicos habilitados ao menos plantar ou tratar uma árvore, ou como patronos adoptar uma ou várias as quais ao longo do ano se cuidariam e monitorizariam, aproximando as populações à “sua” Floresta, à “sua “ serra? E já agora, porque não igualmente uma Liga dos Amigos da Serra de Sintra, de alerta e com intervenção pedagógica, agindo em interacção com os gestores do território? Aqui, como em muitas outras coisas, é igualmente preciso distinguia a árvore e a floresta.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Grandes naufrágios no Cabo da Roca


Se a epopeia dos descobrimentos foi o momento alto da história pátria, nem só de glória foram esses dias fabulosos de Encontro e Descoberta. O mar, companheiro e generoso muitas vezes foi castigador e cruel, por vezes já quando longas viagens chegavam ao fim e à vista de costa amiga. Vem isto a propósito de recordar os vários naufrágios na costa de Sintra, muitos perto do Cabo da Roca onde no fundo dum mar alteroso jazem esperanças, fazendas e sonhos desfeitos, batidos por ondas justiceiras. Com efeito, para além de constituir imponente acidente geológico, o Cabo da Roca era relevante na náutica antiga como ponto de referência, juntamente com as Berlengas e o Cabo Espichel. Entre a ponta da Lamparoeira e o cabo da Roca, a isobatimétrica dos 50 metros vai-se aproximando sensivelmente da costa, situando-se a cerca de 4.5 milhas da primeira e a pouco mais de 1.5 milhas da segunda. A isobatimétrica dos 10 metros corre próximo da linha de costa e na generalidade por dentro dela os fundos são sujos.
Os perigos à navegação são muitos. Entre os mais relevantes encontram-se as Mesas, que são pedras emersas mas baixas, das quais a menor, a pedra das Gaivotas, parece caiada na sua parte superior. Estão situadas a cerca de 200 metros a Sul-sudoeste do focinho do cabo da Roca, constituindo perigo a quem fizer rota muito próximo de terra nesta área, em especial à noite.
Maior perigo constitui a pedra da Arca ou Broeiro, situada a cerca de 900 metros a Noroeste do cabo, submersa mas à flor da água e sobre a qual, com bom tempo, o mar não rebenta. Junto a esta pedra encontra-se um navio afundado e passa sensivelmente por ela o enfiamento do extremo norte do areal do Guincho com a pedra das Gaivotas. Entre o Broeiro e as Mesas há igualmente várias pedras, tanto mais perigosas porque são frequentes os nevoeiros, junto à costa, nos meses de Verão.
De entre os naufrágios mais conhecidos no Cabo da Roca ocorridos, um pequeno relato:
Em 1611, o Nuestra Señora de la Encarnación, nau espanhola de 90 toneladas vinda de Porto rico, e comandada por Pedro Rebolo.
Em 2 de Novembro de 1636, temos nota do afundamento do Santa Catarina de Ribamar, da Carreira das Índias, com 470 passageiros a bordo e em 1639 três navios turcos.
Já a 3 de Fevereiro de 1731, entre a Roca e Cascais perdeu-se a tartana francesa Notre Dame de Misericorde, que saíra a 1 de Janeiro de Marselha para Lisboa com um carregamento de mercadorias. Com a força das ondas foi lançada sobre as rochas por uma tempestade.
Outro relato, de 26 de Novembro de 1798 dá conta do afundamento do HMS Medusa, navio inglês de 50 canhões, sob o comando do capitão Alexandre Becker.
A 26 de Agosto de 1871, o vapor inglês Lunefeld, que viajava de Cardiff para Trieste, com rails de caminho de ferro terminou abruptamente o seu percurso.
A 3 de Maio de 1872,a polaca francesa Saint Germain, naufragou na Praia da Ursa e em 20 de Janeiro de 1875 também no Cabo da Roca o vapor português Insulano, construído em 1868, e propriedade da Empresa Insulana de Navegação, com 877 toneladas, foi abalroado pelo vapor inglês City of Meca.
Em 28 de Agosto de 1883, registo para o encalhe devido a nevoeiro do vapor inglês Rydal e em 15 de Agosto de 1907, o vapor inglês Anglia com 2055 toneladas de carvão lá ficou.
Na Baixa do Broeiro em 8 de Janeiro de 1886, o navio inglês Carnishman e no mesmo local, em 8 de Junho de 1890, o Fernando, vapor de pesca português.
Em 1907 novo afundamento, entre a Roca e o Raso, o Lutetia, da Compagnie de Navigation Sud Atlantique afundou o Dimitrios, vapor grego de 2506 toneladas e em 1922, a 23 de Outubro o vapor espanhol Begoña, de 3450 toneladas colidiu com o vapor inglês Avontown.
A 24 de Abril de 1963, menção para a colisão entre o navio motor Loiusa Gorthom e o navio espanhol Virgen de la Esperanza.
Mais recentemente em 1981, a 15 de Agosto o afundamento do navio turco Elazig, de 4836 toneladas, e mais mediático, e ainda na memória de alguns, o Bolama, muito tempo e ainda hoje envolto em mistério.
De forma oficial, existem vários relatos de achados nesta zona. O primeiro comunicado às autoridades consistiu na descoberta e consequente levantamento de uma peça de artilharia bronze junto ao cabo da Roca, recuperada em Agosto de 1966 a baixa profundidade. Tratava-se de um canhão de bronze de 2,87 metros de comprido, com 13 cm de calibre e peso estimado de 1500 kg. Tinha duas cintas, dois munhões, duas asas de golfinho e cascavel chato com asa, tendo sido identificado como sendo uma meia colubrina do século XVII.
Depois, os achados sucederam-se – uma peça em bronze recuperada pela Marinha em 1967, um conjunto de outras 13 descoberto entre 4 e 8 metros de profundidade, um sino também em bronze descoberto por apanhadores de algas, um par de canhões em ferro e por aí fora.
Há uns anos atrás, o CNANS enviou para a zona uma equipa constituída por Luís Filipe Castro, Jean-Yves Blot e Miguel Aleluia, na tentativa de localizar e caracterizar o conjunto das 13 peças de bronze, muito provavelmente pertencentes à Santa Catarina de Ribamar. Debalde: a zona estava completamente assoreada e nada foi visto.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Época balnear, problemas como sempre a banhos


Abrindo por estes dias a época balnear umas palavras sobre o litoral sintrense, para realçar alguns aspectos menos positivos e a carecer de atenção. Em primeiro lugar e desde logo, a situação vergonhosa do encerramento pela Administração Hidrográfica do Tejo do acesso à praia do Magoito, por alegada instabilidade da duna mas seguindo o velho tratamento já experimentado na Praia Pequena e no miradouro das Azenhas do Mar: em vez de consolidar e reparar, fechar até ver, colocando mesmo um portão fechado a cadeado. 
O Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sintra-Sado, aprovado pela resolução do Conselho de Ministros 8/2003 determina a valorização e qualificação das praias, consideradas estratégicas por motivos ambientais e turísticos, sendo as praias de Sintra classificadas nas seguintes categorias:
a)Praias urbanas com uso intensivo (praias urbanas de tipo I), que correspondem a praias adjacentes a um núcleo urbano consolidado e sujeitas a forte procura (Praia das Maçãs, Praia das Azenhas do Mar)
b)Praias não urbanas com uso intensivo (praias peri-urbanas de tipo II)que correspondem a praias afastadas de núcleos urbanos mas sujeitas a forte procura(Praia Grande)
c)Praias equipadas com uso condicionado(praias semi-naturais designadas por tipo III) que correspondem a praias que não se encontram sujeitas à influência directa dos núcleos urbanos e estão associadas a sistemas naturais sensíveis (S.Julião, Magoito, Aguda, Adraga e Abano)
d)Praias não equipadas com uso condicionado (praias naturais, designadas por tipo IV) que correspondem a praias associadas a sistemas de elevada sensibilidade que apresentam limitações para o uso balnear(Vigia, Samarra, Praia Pequena e Ursa)
No plano de água  associado às praias que o POOC impõe e com excepção das praias classificadas no tipo IV deverão ser previstas zonas e canais diferenciados, nomeadamente: zona vigiada, onde será garantido o socorro a banhistas, com uma extensão igual à do areal objecto de licença ou concessão e uma distância de 100 m, incluindo a zona de banhos e os canais para actividades aquáticas, desportivas ou lúdicas; b) zona de banhos, com uma extensão mínima igual a dois terços da zona vigiada, e na qual é interdita a circulação e permanência de quaisquer modos náuticos, com excepção dos que se destinam à vigilância e segurança dos banhistas; c) canal para actividades aquáticas, desportivas e lúdicas com recurso a modos náuticos, devidamente sinalizado e com o dimensionamento correspondente à procura; d) sinalização dos locais onde a pesca e a caça submarina são interditas durante a época balnear. As infra-estruturas nas praias são definidas de acordo coma classificação e ocupação da praia.
São admitidos, nas praias dos tipos I, II e III apoios e equipamentos localizados nos polígonos de implantação e nas áreas de localização preferencial indicadas nas plantas dos planos de praia. A instalação de apoios balneares está obrigatoriamente associada a um apoio de praia e os parâmetros a observar deverão ser: passadeiras entre os vários núcleos de funções e serviços:1,2 m de largura mínima; utilização para cada barraca de banhos: 4 m2 de área mínima; utilização para cada toldo de banhos: 3 m2 de área mínima. A ocupação da área de toldos e barracas deve obedecer às seguintes regras: a) um número máximo de 10 barracas por 100 m2; b) um número máximo de 20 toldos por 100 m2. A área destinada a instalação de chapéus-de-sol não pode ser inferior à área de toldos e barracas incluída na mesma área concessionada.
Nesse POOC Sintra-Sado estão previstas Unidades Operativas de Planeamento e Gestão para a Samarra, Casal dos Pianos/Lomba dos Pianos, Pedregal, Praia da Aguda/Praia Grande, Praia das Maçãs, Praia Grande e Cabo da Roca. Onde estão eles, passados 8 anos, e que auscultação foi feita às populações no âmbito do procedimento participado?
Igualmente estão previstos planos de praia para as praias dos tipos I, II e III, de acordo com os objectivos do POOC, indicando o conjunto de acções a realizar nessas praias, no que respeita à construção de acessos e estacionamentos e às intervenções a realizar na envolvente física da praia, contendo o zonamento dos usos balneares e a localização dos acessos e estacionamentos para a praia. Nesta altura deveriam ter planos e deles ser dado conhecimento, as praias de São Julião, Magoito, Aguda, Azenhas do Mar, Praia das Maçãs, Praia Grande, Praia da Adraga e Praia do Abano. Alguém tem conhecimento de algum?
Como sempre, pontificam os procedimentos coercivos. Planear ouvindo e fazer agilizando, pelos vistos, nem para inglês ver. Mais fácil é fechar as praias a cadeado, isto se a troika não se lembrar de cobrar taxas pelo uso das praias ou pelo direito ao Sol. Bom Verão e boas banhocas!