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sábado, 4 de junho de 2011

50 Anos da Amnistia Internacional



Passam a 4 de Junho 22 anos sobre o massacre de Tiananmen, numa altura em que a Amnistia Internacional comemora 50 anos (os nossos parabéns, na pessoa dos responsáveis pelo Grupo 19 de Sintra, que têm vindo a dinamizar o facto com exposições e conferências).
O Governo Chinês tem-se recusado a levar a cabo um inquérito aberto, independente e imparcial aos acontecimentos dos dias 3-4 de Junho, apesar dos apelos dos governos estrangeiros. Mas é necessário que a justiça acabe por prevalecer e que as vítimas e suas famílias não sejam esquecidas. Nesse sentido a Amnistia Internacional - Secção Portuguesa pede a todos os seus activistas e simpatizantes que assinem o apelo que será enviado para o Primeiro-Ministro da República Popular da China, com cópia para o Embaixador da China em Portugal.
Dois dias antes do 22º Aniversário  o Governo Chinês tentou, de forma discreta, negociar uma indemnização à família de uma das vítimas desse massacre.
Esta notícia é insólita porque diz respeito a apenas uma de entre milhares de vítimas e porque os responsáveis chineses nunca assumiram a sua responsabilidade por esses sangrentos acontecimentos e muito menos admitiram discutir o assunto com os familiares das vítimas, cuja associação – Mães de Tiananmen – tem sido alvo de perseguições por lutarem pela reabilitação do nome dos seus entes queridos e pela divulgação oficial do número de mortos dos dias 3 e 4 de Junho de 1989. Esta notícia pode ser um sinal de que a China quererá mudar de atitude em relação à apreciação desse terrível evento, que anualmente ensombra a sua imagem perante o mundo em que tem vindo a desempenhar um papel relevante.
Uma vontade sincera de assumir as suas responsabilidades implicaria a divulgação do número e nome das vítimas e a sua reabilitação, o diálogo sincero com todos os seus familiares e um inquérito e julgamento dos responsáveis pelos acontecimentos. Ao invés, vários activistas defensores dos direitos humanos continuam a ser condenados por terem participado nos acontecimentos da Praça de Tiananmen ou por terem pedido publicamente justiça para as vítimas. Desde Fevereiro, A Amnistia Internacional obteve informações sobre mais de 130 casos de activistas, “ bloggers“, advogados e outros que foram detidos pela polícia, sujeitos a intimidação e monitorização pelas forças de segurança ou que desapareceram. Muitos enfrentam acusações vagas mas perigosas de “incitamento à subversão”. Entre eles constam:
Chei Wei: activista de Sichuan (defensor das famílias das crianças mortas no terramoto de Sichuan, soterradas sob os escombros de escolas mal construídas) levado pela polícia em 20 de Fevereiro de 2011 e acusado de “incitar à subversão do poder do Estado”.
Ding Mao: Também activista de Sichuan e fundador do Partido Social Democrático, cujo reconhecimento legal foi recusado. Foi detido em 19 de Fevereiro de 2011 e acusado de “incitamento à subversão”.
Li Hai: foi detido pela polícia em 26 de Fevereiro de 2011, sob suspeita de “provocar perturbações públicas” por divulgar a Revolução de Jasmim no Médio Oriente. Aguarda julgamento. Li Hai já tinha sido detido em meados dos anos 90 por “divulgar Segredos de Estado”, depois de ter compilado uma lista de pessoas aprisionadas depois dos protestos de 1989 em Tiananmen,
Wang Lihong: médica, foi colocada em regime de vigilância no dia 20 de Fevereiro de 2011 e detida no dia seguinte. Foi acusada de “juntar uma multidão para perturbar a ordem pública”.
Liu Xiaobo: académico e poeta, co-autor da Carta 08, Prémio Nobel da Paz de 2010, condenado a 11 anos de prisão em 25 de Dezembro de 2009. Liu Xiaobo, que fora anteriormente detido pelo seu papel nos acontecimentos de 1989, dedicou o Prémio Nobel às vítimas de Tiananmen.
Amnistia Internacional: onde as trevas da opressão dominarem os povos, uma vela se acenderá nas consciências de muitos. Só o medo de ser livre pode criar o orgulho de ser escravo.
Parabéns à Amnistia Internacional!
                                        

sexta-feira, 3 de junho de 2011

2011,Ano Internacional das Florestas


2011 é o Ano Internacional das Florestas. As florestas cobrem 31% de toda a área terrestre do planeta e têm responsabilidade directa na garantia da sobrevivência de 1,6 biliões de pessoas e de 80% da biodiversidade terrestre. Pela sua importância, merecem ser mais preservadas e valorizadas e, por isso, a ONU declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas. As florestas são capazes de movimentar cerca de 327 biliões de dólares todos os anos, mas infelizmente o mundo debate-se com a triste realidade da desflorestação. A ideia deste Ano, é a da promoção de acções que incentivem a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta existentes, mostrando que a sua exploração sem sustentabilidade pode causar uma série de prejuízo irreversíveis, como a perda da biodiversidade; o agravamento das mudanças climáticas, o incentivo a actividades económicas ilegais ou o estímulo à construção clandestina.
A importância do sector florestal em Portugal é inquestionável. A floresta ocupa 38 % do território de Portugal continental, com diferentes taxas de arborização nas várias regiões do País, verificando-se que o pinheiro bravo (Pinus pinaster), o sobreiro (Quercus suber) e os diversos tipos de eucalipto são as espécies mais representativas e, também, de maior interesse económico, ocupando no seu conjunto quase 75 % da área de floresta. Portugal é igualmente o país da União Europeia com mais floresta nas mãos de proprietários privados que, em grande parte, se defrontam com a sua baixa rentabilidade. Este problema tem particular incidência na floresta do Norte e do Centro, assim como nalgumas áreas serranas do Sul, traduzindo-se num défice de gestão das áreas florestais a que se vem juntar o crescente abandono de muitas áreas agrícolas. Esta situação é uma das principais responsáveis pela dimensão do flagelo dos incêndios, que vem tomando, nos últimos anos, proporções de calamidade pública. A expansão do Eucalipto (essencialmente o Eucalyptus globulus) é recente e coincide com o crescimento da indústria papeleira, responsável pela gestão de cerca de 30% dessa área, na qual se abastecem em cerca de 20% do volume total de madeira consumida.
Sintra é particularmente representativa da intervenção humana na floresta. Por se erguer perpendicularmente à linha de costa, a serra de Sintra é o primeiro obstáculo natural que os ventos húmidos do Atlântico encontram interceptando o seu percurso. Isso permite um microclima mediterrânico de feição oceânica, com níveis de humidade característicos dos climas subtropicais. A protecção proporcionada pelas  copas e a manta morta gerada pela queda das folhas e ramos, contribuem para a manutenção de temperaturas e de níveis de humidade no solo propícias ao desenvolvimento da grande diversidade de espécies que aqui podemos encontrar, na  sequência da construção de autênticos parques românticos. Aqui pontificam o  cedro-do-Buçaco, da América Central, a Búnia-Búnia, da Nova Caledónia, a  Araucária  de Norfolk, o Ginkgo da China ou  a magnólia americana, numa miríade de clorofila e orvalho redentores da verdadeira Floresta Mágica.Sendo 2011 igualmente o Ano Europeu do Voluntariado, porque não aproveitar para em conjunto com técnicos habilitados ao menos plantar ou tratar uma árvore, ou como patronos adoptar uma ou várias as quais ao longo do ano se cuidariam e monitorizariam, aproximando as populações à “sua” Floresta, à “sua “ serra? E já agora, porque não igualmente uma Liga dos Amigos da Serra de Sintra, de alerta e com intervenção pedagógica, agindo em interacção com os gestores do território? Aqui, como em muitas outras coisas, é igualmente preciso distinguia a árvore e a floresta.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Grandes naufrágios no Cabo da Roca


Se a epopeia dos descobrimentos foi o momento alto da história pátria, nem só de glória foram esses dias fabulosos de Encontro e Descoberta. O mar, companheiro e generoso muitas vezes foi castigador e cruel, por vezes já quando longas viagens chegavam ao fim e à vista de costa amiga. Vem isto a propósito de recordar os vários naufrágios na costa de Sintra, muitos perto do Cabo da Roca onde no fundo dum mar alteroso jazem esperanças, fazendas e sonhos desfeitos, batidos por ondas justiceiras. Com efeito, para além de constituir imponente acidente geológico, o Cabo da Roca era relevante na náutica antiga como ponto de referência, juntamente com as Berlengas e o Cabo Espichel. Entre a ponta da Lamparoeira e o cabo da Roca, a isobatimétrica dos 50 metros vai-se aproximando sensivelmente da costa, situando-se a cerca de 4.5 milhas da primeira e a pouco mais de 1.5 milhas da segunda. A isobatimétrica dos 10 metros corre próximo da linha de costa e na generalidade por dentro dela os fundos são sujos.
Os perigos à navegação são muitos. Entre os mais relevantes encontram-se as Mesas, que são pedras emersas mas baixas, das quais a menor, a pedra das Gaivotas, parece caiada na sua parte superior. Estão situadas a cerca de 200 metros a Sul-sudoeste do focinho do cabo da Roca, constituindo perigo a quem fizer rota muito próximo de terra nesta área, em especial à noite.
Maior perigo constitui a pedra da Arca ou Broeiro, situada a cerca de 900 metros a Noroeste do cabo, submersa mas à flor da água e sobre a qual, com bom tempo, o mar não rebenta. Junto a esta pedra encontra-se um navio afundado e passa sensivelmente por ela o enfiamento do extremo norte do areal do Guincho com a pedra das Gaivotas. Entre o Broeiro e as Mesas há igualmente várias pedras, tanto mais perigosas porque são frequentes os nevoeiros, junto à costa, nos meses de Verão.
De entre os naufrágios mais conhecidos no Cabo da Roca ocorridos, um pequeno relato:
Em 1611, o Nuestra Señora de la Encarnación, nau espanhola de 90 toneladas vinda de Porto rico, e comandada por Pedro Rebolo.
Em 2 de Novembro de 1636, temos nota do afundamento do Santa Catarina de Ribamar, da Carreira das Índias, com 470 passageiros a bordo e em 1639 três navios turcos.
Já a 3 de Fevereiro de 1731, entre a Roca e Cascais perdeu-se a tartana francesa Notre Dame de Misericorde, que saíra a 1 de Janeiro de Marselha para Lisboa com um carregamento de mercadorias. Com a força das ondas foi lançada sobre as rochas por uma tempestade.
Outro relato, de 26 de Novembro de 1798 dá conta do afundamento do HMS Medusa, navio inglês de 50 canhões, sob o comando do capitão Alexandre Becker.
A 26 de Agosto de 1871, o vapor inglês Lunefeld, que viajava de Cardiff para Trieste, com rails de caminho de ferro terminou abruptamente o seu percurso.
A 3 de Maio de 1872,a polaca francesa Saint Germain, naufragou na Praia da Ursa e em 20 de Janeiro de 1875 também no Cabo da Roca o vapor português Insulano, construído em 1868, e propriedade da Empresa Insulana de Navegação, com 877 toneladas, foi abalroado pelo vapor inglês City of Meca.
Em 28 de Agosto de 1883, registo para o encalhe devido a nevoeiro do vapor inglês Rydal e em 15 de Agosto de 1907, o vapor inglês Anglia com 2055 toneladas de carvão lá ficou.
Na Baixa do Broeiro em 8 de Janeiro de 1886, o navio inglês Carnishman e no mesmo local, em 8 de Junho de 1890, o Fernando, vapor de pesca português.
Em 1907 novo afundamento, entre a Roca e o Raso, o Lutetia, da Compagnie de Navigation Sud Atlantique afundou o Dimitrios, vapor grego de 2506 toneladas e em 1922, a 23 de Outubro o vapor espanhol Begoña, de 3450 toneladas colidiu com o vapor inglês Avontown.
A 24 de Abril de 1963, menção para a colisão entre o navio motor Loiusa Gorthom e o navio espanhol Virgen de la Esperanza.
Mais recentemente em 1981, a 15 de Agosto o afundamento do navio turco Elazig, de 4836 toneladas, e mais mediático, e ainda na memória de alguns, o Bolama, muito tempo e ainda hoje envolto em mistério.
De forma oficial, existem vários relatos de achados nesta zona. O primeiro comunicado às autoridades consistiu na descoberta e consequente levantamento de uma peça de artilharia bronze junto ao cabo da Roca, recuperada em Agosto de 1966 a baixa profundidade. Tratava-se de um canhão de bronze de 2,87 metros de comprido, com 13 cm de calibre e peso estimado de 1500 kg. Tinha duas cintas, dois munhões, duas asas de golfinho e cascavel chato com asa, tendo sido identificado como sendo uma meia colubrina do século XVII.
Depois, os achados sucederam-se – uma peça em bronze recuperada pela Marinha em 1967, um conjunto de outras 13 descoberto entre 4 e 8 metros de profundidade, um sino também em bronze descoberto por apanhadores de algas, um par de canhões em ferro e por aí fora.
Há uns anos atrás, o CNANS enviou para a zona uma equipa constituída por Luís Filipe Castro, Jean-Yves Blot e Miguel Aleluia, na tentativa de localizar e caracterizar o conjunto das 13 peças de bronze, muito provavelmente pertencentes à Santa Catarina de Ribamar. Debalde: a zona estava completamente assoreada e nada foi visto.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Época balnear, problemas como sempre a banhos


Abrindo por estes dias a época balnear umas palavras sobre o litoral sintrense, para realçar alguns aspectos menos positivos e a carecer de atenção. Em primeiro lugar e desde logo, a situação vergonhosa do encerramento pela Administração Hidrográfica do Tejo do acesso à praia do Magoito, por alegada instabilidade da duna mas seguindo o velho tratamento já experimentado na Praia Pequena e no miradouro das Azenhas do Mar: em vez de consolidar e reparar, fechar até ver, colocando mesmo um portão fechado a cadeado. 
O Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sintra-Sado, aprovado pela resolução do Conselho de Ministros 8/2003 determina a valorização e qualificação das praias, consideradas estratégicas por motivos ambientais e turísticos, sendo as praias de Sintra classificadas nas seguintes categorias:
a)Praias urbanas com uso intensivo (praias urbanas de tipo I), que correspondem a praias adjacentes a um núcleo urbano consolidado e sujeitas a forte procura (Praia das Maçãs, Praia das Azenhas do Mar)
b)Praias não urbanas com uso intensivo (praias peri-urbanas de tipo II)que correspondem a praias afastadas de núcleos urbanos mas sujeitas a forte procura(Praia Grande)
c)Praias equipadas com uso condicionado(praias semi-naturais designadas por tipo III) que correspondem a praias que não se encontram sujeitas à influência directa dos núcleos urbanos e estão associadas a sistemas naturais sensíveis (S.Julião, Magoito, Aguda, Adraga e Abano)
d)Praias não equipadas com uso condicionado (praias naturais, designadas por tipo IV) que correspondem a praias associadas a sistemas de elevada sensibilidade que apresentam limitações para o uso balnear(Vigia, Samarra, Praia Pequena e Ursa)
No plano de água  associado às praias que o POOC impõe e com excepção das praias classificadas no tipo IV deverão ser previstas zonas e canais diferenciados, nomeadamente: zona vigiada, onde será garantido o socorro a banhistas, com uma extensão igual à do areal objecto de licença ou concessão e uma distância de 100 m, incluindo a zona de banhos e os canais para actividades aquáticas, desportivas ou lúdicas; b) zona de banhos, com uma extensão mínima igual a dois terços da zona vigiada, e na qual é interdita a circulação e permanência de quaisquer modos náuticos, com excepção dos que se destinam à vigilância e segurança dos banhistas; c) canal para actividades aquáticas, desportivas e lúdicas com recurso a modos náuticos, devidamente sinalizado e com o dimensionamento correspondente à procura; d) sinalização dos locais onde a pesca e a caça submarina são interditas durante a época balnear. As infra-estruturas nas praias são definidas de acordo coma classificação e ocupação da praia.
São admitidos, nas praias dos tipos I, II e III apoios e equipamentos localizados nos polígonos de implantação e nas áreas de localização preferencial indicadas nas plantas dos planos de praia. A instalação de apoios balneares está obrigatoriamente associada a um apoio de praia e os parâmetros a observar deverão ser: passadeiras entre os vários núcleos de funções e serviços:1,2 m de largura mínima; utilização para cada barraca de banhos: 4 m2 de área mínima; utilização para cada toldo de banhos: 3 m2 de área mínima. A ocupação da área de toldos e barracas deve obedecer às seguintes regras: a) um número máximo de 10 barracas por 100 m2; b) um número máximo de 20 toldos por 100 m2. A área destinada a instalação de chapéus-de-sol não pode ser inferior à área de toldos e barracas incluída na mesma área concessionada.
Nesse POOC Sintra-Sado estão previstas Unidades Operativas de Planeamento e Gestão para a Samarra, Casal dos Pianos/Lomba dos Pianos, Pedregal, Praia da Aguda/Praia Grande, Praia das Maçãs, Praia Grande e Cabo da Roca. Onde estão eles, passados 8 anos, e que auscultação foi feita às populações no âmbito do procedimento participado?
Igualmente estão previstos planos de praia para as praias dos tipos I, II e III, de acordo com os objectivos do POOC, indicando o conjunto de acções a realizar nessas praias, no que respeita à construção de acessos e estacionamentos e às intervenções a realizar na envolvente física da praia, contendo o zonamento dos usos balneares e a localização dos acessos e estacionamentos para a praia. Nesta altura deveriam ter planos e deles ser dado conhecimento, as praias de São Julião, Magoito, Aguda, Azenhas do Mar, Praia das Maçãs, Praia Grande, Praia da Adraga e Praia do Abano. Alguém tem conhecimento de algum?
Como sempre, pontificam os procedimentos coercivos. Planear ouvindo e fazer agilizando, pelos vistos, nem para inglês ver. Mais fácil é fechar as praias a cadeado, isto se a troika não se lembrar de cobrar taxas pelo uso das praias ou pelo direito ao Sol. Bom Verão e boas banhocas!

terça-feira, 31 de maio de 2011

A comunidade dos blogues de Sintra

Segundo alguns Trendsetters (especialistas em novas tendências) o português do futuro caracterizar-se-á por preferir o Skype ao telefone ,apostará  num disco rígido ligado à TV, preferirá causas e acções de protesto pontuais, e procurará amigos temáticos fruto de diversidade cultural. As pessoas estarão menos disponíveis para aderir por períodos muito longos a organizações fixas e preferem actuar por impulso, vincando um individualismo em que é mais estimulante o que se passa na vida de cada um ou do seu núcleo de amigos do que o que se passa na sociedade. Isto coincide com o incremento da Internet e o fim do televisor único em casa, com vários aparelhos por habitação e a possibilidade de pré-escolher os programas e as horas a que passam, fazendo de cada um um programador de televisão.
Neste quadro, a oferta cultural tenderá para ser feita á medida, com um quadro social fragmentado e de nichos onde a visão de bloco anterior, tenderá a desaparecer. É a idade do indivíduo em rede, onde partilhar um projecto ou uma mensagem no YouTube ou no MySpace é mais apetecível que as tradicionais reuniões ou rituais da cultura de massas anteriores.

Hoje, já familiares, temos os blogues, esse mundo de silêncio onde virtuais activistas podem impor tendências, divulgar problemas, congregar causas, através da sua difusão, hoje alargada com a promoção permitida pelas redes sociais.
Os  primeiros blogues surgiram em Dezembro de1997, através do conceito de Weblog, criado por Jorn Barger, a partir das palavras “web” (Internet) e “log” (registo). No entanto, segundo Dave Winer, o primeiro weblogue criado foi o primeiro web site, http://info.cern.ch/, criado por Tim Berners-Lee no CERN -European Organization for Nuclear Research. Esta página funcionava como um apontador, no qual Tim Berners-Lee referenciava os novos web sites que iam surgindo na World Wide Web. Posteriormente surgiram as páginas “What’s New” do NCSA- National Center for Supercomputing Applications e da Netscape. Nestas duas páginas “What’s New” já podemos encontrar duas características principais dos weblogues, a datação das entradas e a sua colocação por ordem inversa. Em 1996 e 1997 surgem os primeiros blogues pessoais como o Scripting News de Dave Winer, o Robot Wisdom de Jorn Barger, o Tomalak’s Realm ou o CamWorld.Em 1999, existiam 23 weblogues referenciados. Nesse mesmo ano, Peter Merholz defendeu que se deveria pronunciar “wee-blog”, por se tratar de um meio para comunidades. Este acontecimento acabou por conduzir à utilização “abreviada” da palavra “blog” e à referência do seu editor como o “blogger”.
A partir de 1999, o número de weblogues foi aumentando cada vez mais, sobretudo graças ao aparecimento de novas ferramentas de publicações de conteúdos, como o “blogger” da Pyra, que permitiram que qualquer pessoa, sem ter necessidade de quaisquer conhecimentos de HTML, pudesse ter o seu próprio blogue na Web, com o surgimento das ferramentas dos sistemas baseados na Web, como o Blogger e o Groksoup, lançados pela Pyra em Agosto de 1999.
Os blogues originais eram um misto de links, comentários e pensamentos pessoais. Com a entrada em cena do Blogger, em 1999, começaram a aparecer inúmeros blogues, actualizados várias vezes por dia, cujo tema central não eram os pensamentos do “blogueiro”, mas sim, algo que ele tinha reparado no seu local de trabalho, notas sobre o seu fim-de-semana ou, por exemplo, reflexões sobre um determinado assunto. Os links dentro dos blogues levavam-nos para outros blogues, nos quais havia alguma referência ao tema abordado ou nos quais existia simplesmente também um link para o blogue de partida.
A diferença entre o conteúdo dos blogues originais, anteriores a 1999 e os blogues mais recentes, posteriores ao aparecimento do Blogger, fazem repensar o conceito e conteúdo dos blogues. E suscitam uma nova realidade: a ética e deontologia na comunidade blogueira (ou bloguista?).Não será um paradoxo alargar a comunicação refugiado na penumbra dum quarto ou na solidão de um sotão, clicando para o mundo?
Em minha opinião, são hoje uma importante ferramenta de suporte e congregação de sinergias para causas, valores e regiões. Em Sintra, como em todo o lado, pululam por aí, uns de crítica mordaz, outros de divulgação e outros até de promoção de actividades. Ao fim de alguns anos, e depois de me ter iniciado com o Alagablogue e manter este e o Café com Adoçante, de pendor mais literário e descontraído, destaque para alguns, que leio frequentemente e recomendo: Lendas e Mitos de Sintra - http://lendasdesintra.blogspot.com/ ,o Rio das Maçãs, do activo e atento Pedro Macieira, http://riodasmacas.blogspot.com/, o incisivo Sintra do Avesso http://sintradoavesso.blogspot.com/ do irreverente João Cachado, o Sintra por entre as Brumas, da ausente mas presente Daniela Colaço, http://sintrabrumas.blogspot.com/, o Retalhos de Sintra, de Fernando Castelo, http://retalhos-de-sintra.blogspot.com/ , e um outro ainda embrionário o Linhas de Sintra, Http://linhasdesintra.blogspot.com/ onde igualmente colaboro junto com Ricardo Duarte, João Afonso Aguiar e André Nóbrega. Todos, a seu modo, são Cavaleiros de Sintra, cultores da palavra e indefectíveis do link. Luis Galrão, no seu Ave do Arremedo http://ave-do-arremedo.blogspot.com/ faz a recolha quase exaustiva de todos os que vão surgindo.  Sem esquecer  Cortez Fernandes, http://tudodenovoaocidente.blogs.sapo.pt/Marco Almeida, http://viver-sintra.blogspot.com/,  Vitalino Cara d’Anjo, Nuno Saraiva, Rui Vasco Silva e outros. E crescendo esta realidade já pouco virtual, a pergunta: porque não um encontro de bloggers de Sintra, um dia destes? Deontologia, afinidades, fontes ou interesses poderiam ganhar muito com o estreitar desta comunidade, talvez a mais efectiva rede de comunicação social local. Fica o desafio.

Pintores em Sintra:Milly Possoz

Filha de pais belgas, Mily Possoz nasceu em Lisboa a 4 de Dezembro de 1888. Após estudos de pintura com Emília Santos Braga e com o aguarelista espanhol Enrique Casanova, em 1905 parte para Paris, onde estuda na Académie de La Grande Chaumière. Finda esta primeira estada parisiense, viaja pela França, Bélgica, Alemanha e Holanda, desenvolvendo estudos de gravura, nomeadamente em Bruxelas e Düsseldorf. De regresso a Portugal, em 1909 começa a integrar as exposições colectivas dos modernistas e a organizar exposições individuais do seu trabalho.
Nos anos 20 inicia colaboração com a imprensa, nomeadamente com a ABC e a Athena, trabalhando como ilustradora,
A gravura será, aliás, a via que mais explorará como artista, sobretudo durante os anos em que se encontra fora de Portugal. Com efeito, na segunda estada parisiense, iniciada nos anos vinte, tornar-se-á membro activo da sociedade Jeune Gravure Contemporaine, criada nessa cidade em 1929. Amiga do artista japonês Tsuguharu Foujita (1886-1968 ) , com ele estabelecerá alguns jogos plásticos, evidentes em algumas das suas litogravuras e pontas-secas. Influenciada portanto pela estética depurada da gravura japonesa, mas não escamoteando outras correntes a que vai também claramente beber, como o surrealismo, a obra de Mily Possoz sintetiza várias gramáticas que ela serve com um gesto poderoso, seguro, certeiro.
Em 1937, a sua participação na exposição de Gravura Francesa, realizada em Cleveland, nos Estados Unidos, garante-lhe a medalha de ouro e a aquisição de obras suas para o Museu de Cleveland. Nesse mesmo ano regressa a Portugal.
Em 1940, encontramo-la entre o vasto leque de artistas modernistas convidados para a decoração dos pavilhões da Exposição do Mundo Português. Ainda nesse ano, com a criação pelo SNI dos Bailados Verde-Gaio, Bailados Portugueses, colabora como figurinista.
No decorrer dos 40, muda-se para Sintra, onde passa a viver, dedicando-se então sobretudo à pintura a óleo, elegendo essa paisagem como motivo preferencial, e à aguarela que exercita sobretudo no retrato. Será também nessas paragens que, em 1957, conhecerá o coleccionador de arte Machaz, que lhe encomenda vários quadros para a decoração do Hotel Tivoli. Em 1956, colabora também com a Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses — Gravura.
Morre a 17 de Junho de 1967.Raquel Henriques da Silva escreveu sobre ela,e alguns temas de Sintra podem ainda ser vistos em sites na net,numa perspectiva modernista e surrealista por vezes.Uma figura a recordar.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os troika-tintas

Não, a Troika não é uma dançarina de Leste dum qualquer night-club de Lisboa, nem é já o gerontocrático Politburo que dirigiu a União Soviética no tempo de Brejnev. Esta troika com que diariamente nos atazanam os ouvidos, são só uns senhores a quem pedimos dinheiro emprestado e que misericordiosos o fazem à taxa amiga de 5,7%, deixando instruções sobre como gastar o dinheiro, isto na crença de que sempre que o fizeram noutros lados resultou e os países melhoraram.
Sejamos claros: o FMI é uma instituição vocacionada para as crises de pagamentos, um regulador criado após Bretton Woods e seu resquício de má fama, tido como o Godzilla dos desgovernados. Só que se Godzilla assustava e dominava, também destruía tudo à sua passagem. Já os nossos “amigos” da EU apenas "ajudam" por obrigação, com medo do contágio. No fundo, a coisa é tão simples quanto isto: nós empresta-mo-vos dinheiro, em tranches, e vocês fazem esta dieta, não para serem um país melhor e voltar a crescer mas para ver se ao menos sacamos o necessário para nos pagarem de volta. Submissos, os nossos políticos, reúnem com eles meia hora duas vezes, a “negociar” profundamente o draft que já traziam alinhavado (se tivessem negociado sabiam o conteúdo antes de ser distribuído...) e agitam o papão de só eles estarem em condições de cumprir, candidatos a capatazes, pois se não cumprirmos, a troika má vem e castiga. Os defensores do povo disputam assim o papel de melhor aliado da troika, a quem, dos que não cumprirem, os outros irão lampeiros fazer queixa, ocupantes Junots e Beresfords do século XXI. No Brasil de Belém, um D. João VI de Boliqueime e sua Carlota Joaquina observam sem intervir, que não podem, claudique o país mas respeite-se a Constituição.
A tal troika pensou na fuga de capitais, no branqueamento ilícito ou nas off-shores sorvedoras? Não, que se pode afugentar os potenciais investidores. Assim como assim, o povo já está habituado, no cinto português há mais furos que cinto para apertar. Os municípios querem discutir o seu futuro com critérios de respeito pelas populações e tendo em vista reduzir assimetrias? Não, juntem todos ao molho para reduzir as despesas, Évora com Setúbal, Faro com Almodôvar. Os funcionários são parasitas, há que desparasitar, esquece a  boa da troika também ela ser uma troika de simples funcionários, que os chefes nem se deram ao trabalho de cá vir assinar, deixando a tarefa a meros chefes de serviços, que durante três semanas puseram um país em sentido e os políticos da praça de língua de fora. Se é certo que é preciso o dinheiro e há que pagar, um pouco mais de dignidade seria de esperar dum país com novecentos anos, onde os fundadores já muitas voltas devem ter dado no caixão. Almada Negreiros dizia que Portugal era um país óptimo, só que tinha um problema: o pior de Portugal eram os portugueses. Sem alinhar com os novos Vencidos da Vida nem com as acampadas generosas mas utópicas, tenhamos um pouco de decência, e encaremos os problemas a sério e com competência. Ao invés de acenar com miséria que aí vem em sucessivas e fartas jantaradas de campanha e  pindéricas arruadas anunciando a chegada do circo à cidade, façam menos ruído e não brinquem à política. Façam-na. A sério. 

Cinco Artistas em Sintra

João Cristino da Silva foi um pintor português da época romântica,autor duma das obras mais emblemáticas da pintura romântica em Portugal:Cinco Artistas em Sintra, uma  pintura de 1855 (Óleo sobre tela 87 X 129 cm) que representou Portugal na Exposição Universal de Paris de 1855 e onde se podem  ver os artistas Francisco Augusto Metrass atrás de Tomás da Anunciação, o escultor Vítor Bastos tendo ao seu lado Cristino a desenhar e José Rodrigues sentado.O único artista romântico não representado nesta obra de arte foi o Visconde de Meneses.Foi comprada pelo Rei Consorte D. Fernando II e actualmente faz parte do espólio do Museu do Chiado.Cristino da Silva Iniciou os seus estudos em 1841 na Academia de Belas Artes , onde mais tarde viria a ser professor e no período de 1847 a 1849,e estudou cinzelagem na oficina de lavrantes do Arsenal do Exército.Em 1849 voltou a dedicar-se à pintura.Foi o primeiro pintor português a dedicar-se à pintura da paisagem. Em Madrid expôs algumas das suas obras, tendo sido condecorado pelo rei Amadeu. Ao longo dos seus 47 anos de vida pintou  mais de trezentos quadros,tendo acabado os seus dias no hospício de Rilhafoles, em virtude de ter enlouquecido.
Razões existem que são  de referir a propósito deste quadro de Cristino: em primeiro lugar, a sua escolha do que podemos considerar, em tempos românticos como esses, um “alto-lugar”, Sintra, que simbolicamente atravessa todo o nosso século XIX (até naquilo que a partir do estrangeiro é reconhecido, por exemplo, com Byron ou Beckford), de Garrett e toda a primeira geração romântica até aos que serão chamados a geração de 70, encabeçados por Eça de Queirós. Em segundo lugar, pela temática que institucionaliza o cruzamento entre “o artista” (dimensão estética) com a paisagem de Sintra (dimensão “natural” – e evidentemente estética e, por isso, cultural).
Os cinco artistas (Metrass, Cristino, Rodrigues, o escultor Vítor Bastos e Tomás da Anunciação, aquele a que no interior do quadro está cometido o acto de pintar, ao passo que os outros observam) encontram-se, em termos de cenário, enquadrados pela serra de Sintra e pelo emblema que nela constitui o Castelo da Pena que D. Fernando de Coburgo tornara sua “particular” construção de arte. Será por este conjunto de elementos, aliás, que José Augusto França considerará que, ao contrário do que em termos genéricos se passa na pintura da época,que preferencialmente alterna entre o “pintor de história” e o “pintor de retrato”,“Cristino apresentará antes a imagem duma imagem: a imagem deles próprios ao prepararem-se para produzir imagens – espécie de sonho colectivo que o próprio autor sabia vão, numa sociedade, em, que ele via raivosamente com as cores duma ‘Sibéria das Artes’ ” (idem, 815). A imprensa da época  reconhecia nele uma certa dimensão de excesso que o distinguiria dos seus colegas de escola, todos eles profundamente admiradores, aliás, de Anunciação. A essa dimensão de excesso (que não é no entanto comparável àquilo a que o estilo sublime já desde o século XVIII nos habituara em outras tradições pictóricas que não a portuguesa) se atribui então a sua morte prematura , bem como os episódios de loucura e internamento que a precederam, mas também o número e o tom geral da obra pictórica produzida, “de um colorido ardente e por vezes extravagante, quadros feitos quase todos em poucos dias, sem serem estudados (...)”– e repare-se aqui na forma como ao “artista” se atribui um excesso que não é entretanto dissociável de um estado de inspiração (de um “fora-de-si”) que é responsável tentado pela extravagância como pela sua brevidade e intensidade.

domingo, 29 de maio de 2011

Mariza na Regaleira

Não é novo mas é bom. O Espírito da Regaleira e a alma portuguesa. Nada como os musgos de Sintra para patrulhar as cavidades da alma. A ver ou rever, neste domingo de Primavera envergonhada, meio zangada com o Inverno.
                                           

Estrangeiros em Sintra

A beleza e mistério de Sintra desencadeou a partir do final do séc XVIII uma busca por parte de estrangeiros atraídos por estas bandas, sobretudo os ingleses, e decorrente da relação próxima que Portugal teve com esse país depois da deslocação da corte para o Brasil.Uns viajantes (Byron,Lady Jackson,Ratazzi) outros moradores (Jane Lawrence,os Cook,Gildmeester) muitos foram os estrangeiros que adquiriram propriedades em Sintra, muitas de grande valor arquitectónico e simbólico.
A Quinta da Capela, por exemplo, alugada a Marc Zurcher, suiço, a Quinta da Palma, alugada por americanos, a Quinta da Madre de Deus, de Michael John Baker, a Quinta do Vinagre, em Colares, da família Schlumberger,a Quinta do Conde, também em Colares, de Tinsley.E ainda a Quinta de S.João, de Jaime Senfelt,a Quinta de S.Tiago, de Eduard Bradell, a Quinta do Bonjardim, (onde se jogou a primeira partida de futebol em Portugal), da família Empis.
Acrescente-se ainda a Quinta das Bochechas, da família Massetti, a Quinta do Alto Sereno, de Gerda Spitze, a Casa dos Pisões, de Julina Leacock, a Quinta da Boavista, do conde Frederico de Schonborn-Wiesentheid,a Quinta dos Moinhos Velhos, de Mrs Bosschaart, a Quinta de Penaferrim, de Richard Thomas,a Quinta do Monte Sereno, de Mark Berger, a Quinta do Arrabalde, do holandês Huits, a Quinta do Chão dos Arcos, de Roy Campbell.E outras, como a Quinta da Toca (Marie Gleischen), a Quinta de Santo António, em Almoçageme (Arthur Lanborn),a Quinta da Bemposta (Francoise Baudry),a Quinta Biester  (do americano Robert Bearsdley),a Quinta dos Lagos(que pertenceu ao ex-presidente do Brasil,Sarney) etc, tudo propriedades de famílias estrangeiras amantes de Portugal ou de seus herdeiros,no presente.
 Ainda Hotéis como o Lawrence e o Miramonte,em Colares pertenceram a estrangeiros,como do japonês Nishimura foi a Quinta da Regaleira até que a CMS a adquiriu.E muitos mais.Alguém sabe por exemplo que a actriz do cinema mudo Gloria Swanson,a de Sunset Boulevard (O Crepúsculo dos Deuses)teve uma casa na Praia Grande? E que Adrian, o filho de Sir Arthur Conan Doyle (o do Sherlock Holmes) passava férias em Sintra? Sem falar de Wim Wenders ou Roman Polanski, que por cá filmaram ("O Estado das Coisas" e "A Nona Porta", respectivamente, ou os U2 que tiveram a capa de um LP fotografada na discoteca Concha, na Praia das Maçãs.
                                    Os Cook, donos de Monserrate 

Emblemática dessa presença é talvez a família Cook, que durante anos morou em Monserrate.Francis Cook,rico empresário têxtil,desembarcou em Lisboa em 1841,e aqui se apaixonou e casou com Emily Martha,filha do comerciante Robert Lucas.Depois de alguns anos em Inglaterra, adquiriu Monserrate,e aqui se estabeleceu a partir da década de 60 de oitocentos.Em 1870 foi feito Visconde de Monserrate por D.Luís I.Adquirido o edifício,grandes obras se realizaram sob a orientação do arquitecto inglês James Knowles,e pouco ficou da traça de DeVisme.Mas as grandes mudanças foram ao nível dos jardins,começados por Sir Francis e o seu jardineiro Burt,importando espécies de todo o mundo que rivalizavam com os jardins de D.Fernando,na Pena, quer  no tempo de Sir Herbert,nos anos 20,com outro entendido,Walter Oates,que escreveu em 1929 um livro sobre os jardins de Monserrate,The Gardens Chronicle. A partir de 1928,o poderio dos Cook feneceu,e começou o período decadente.Em 1947,o filho de Sir Herbert,Sir Francis,bisneto do 1º visconde,vendeu a propriedade a um tal Saul Sáragga,o qual queria construir um empreendimento com 143 lotes(!)no local.Foi então que o Estado Português,avisado por Flávio Resende,director do Jardim Botânico de Lisboa ,adquiriu a propriedade,por cerca de nove mil contos.A partir daí,tudo se desvaneceu: o recheio vendido em leilão,e os jardins entregues aos Serviços Florestais.Até então,quatro gerações de Cook viveram e deixaram marcas no delicious Eden.