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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Recordar Viana da Mota em Sintra

Figura incontornável da música e composição em Portugal no séc XX foi Viana da Motta.
José Viana da Motta nasceu no dia 22 de Abril de 1868 na Ilha de São Tomé. Com dois anos de idade veio para a Metrópole, passando a residir em Colares (Sintra), em local assinalado, em 1971, com uma lápide da autoria de Anjos Teixeira, no nº38 da R.da República.
Os seus dotes musicais precoces foram desde logo notados, nomeadamente pelo seu pai, também um amante da música, que soube incitar a vocação do filho. Aos sete anos ingressa no Conservatório e aos 13 apresentou-se pela primeira vez em concerto no Salão da Trindade, com obras da sua autoria. O rei D. Fernando nota o seu talento e a partir de então Viana da Motta torna-se seu protegido. Terminado o curso do Conservatório com distinção, o rei e a Condessa d’Edla patrocinam uma bolsa de estudo para piano na Alemanha, no Conservatório de Scharwenka. Em 1882, Vianna da Motta parte então para Berlim,e inicia uma carreira nacional e internacional de renome.
Mas voltou sempre a estas terras de acolhimento na sua infância e, inclusive contribuiu para o seu progresso. Reza a imprensa da época que, não existindo rede eléctrica pública em Galamares e Colares, Viana da Mota realizou um concerto, gratuito, no salão de Galamares, a 15 de Setembro de 1923 ,a fim de se obterem fundos para a instalação de energia eléctrica em Colares, sendo a luz para tal concerto fornecida, a título precário, pela companhia Sintra-Atlântico, através da sua rede de tracção.
A parte mais significativa da sua produção artística foi confiada à música para piano e para canto e piano, onde musicou tanto textos portugueses como alemães. Esta é talvez a sua música de cariz mais íntimo, resultando nas páginas mais belas da sua criação. No entanto, a sua obra mais simbólica é a Sinfonia "A Pátria", em Lá Maior, Op.13. Composta em 1895 e estreada dois anos mais tarde no Porto, cada um dos seus quatro andamentos é expressão musical da obra de Camões, Os Lusíadas. Emblemática da corrente nacionalista, fruto do Ultimato Inglês a Portugal, esta obra constitui a primeira sinfonia bi-temática escrita por um compositor português
   
                                                           

terça-feira, 24 de maio de 2011

Viver o Parque da Pena: Sugestões

                       
Decorrente da visita de monitorização da missão conjunta World Heritage Centre/ICOMOS de 10 a 15 de Janeiro de 2010 que veio analisar a situação da Paisagem Cultural de Sintra, missão que foi requerida durante a 33ª sessão do World Heritage Comitee na reunião de Sevilha, em 2009  foi aprovado um relatório que teve por base as recomendações da mesma. Nesse relatório, da autoria dos peritos Gerard Collin e Jean Louis Vanden Eynde estes constataram que a pressão turística em Sintra  tem sido controlada com a diversificação de locais e centros de interesse, novos circuitos e outros temáticos e melhor distribuição dos visitantes. Repara-se que a pressão na Pena, por exemplo, num mês de turismo sazonal é de quase 50.000 visitantes/mês. Já a criação de um novo jardim entre a Pena e o Chalé da Condessa gerou alguma apreensão, tendo a missão sugerido antes a recuperação de outros edifícios dentro do parque da Pena. E, facto importante, recomendaram que as comunidades locais se envolvessem mais na gestão da área classificada. Foi sugerido que o Plano de Gestão inclua um plano de acção para o futuro restauro dos jardins e parques baseado em estudo da história e evolução dos parques e instalações, sendo que entenderam que a zona tampão se deveria estender para norte da área inscrita. Nesses termos, o WHC reunido em Brasília em Agosto de 2010 recomendou que estas e outras as considerações fossem implementadas e espera até Fevereiro de 2012 relatório actualizado sobre as propostas formuladas.
Reaberto o Chalé da Condessa e estando em curso a recuperação duma vasta área agora designada por Quinta da Pena, algumas sugestões para usos e fruições: porque não a criação de novos circuitos explicativos (históricos, botânicos, de educação ambiental) e a organização de oficinas temáticas de sensibilização das escolas e da sociedade civil? Porque não a abertura de um centro interpretativo do Palácio e jardins ou a criação de uma escola de jardineiros no espaço da Abegoaria ou similar, nas imediações do Chalé da Condessa? A promoção, se possível mensal, de eventos culturais no Palácio, Chalé e jardins, divulgadas pelas escolas, postos de turismo e empresas e a adopção de veículos eléctricos colectivos nos circuitos entre os palácios, proibindo o acesso de veículos particulares a partir da Estrada da Pena (ou sua circulação bastante condicionada) seriam medidas igualmente bem vindas. A criação de uma Liga dos Amigos dos Parques de Sintra seria igualmente uma forma de especificamente envolver as populações nessa causa concreta, actuando de forma pró-activa e dinamizadora, criticando e propondo numa óptica de utilizador. Muito há, pode, e deve ser feito, ainda.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

18.000 razões para votar

Os nossos sonhos não cabem nas vossas urnas” dizia um cartaz dos jovens que há uma semana acampam nas Puertas del Sol, em Madrid, inspirados nos portugueses da Geração à rasca em luta contra a precariedade do emprego, a falência do Estado Social e a dependência que fere a dignidade de quem tendo procurado qualificar-se enfrenta a falta de emprego, de valorização pessoal, a ambição de uma casa e família, numa irritante letargia que, prolongando-se no tempo pode despertar erráticos cantos de sereia de salvíficos arautos cavalgando o descontentamento e a crise.
Em Março deste ano, estavam registados no Centro de Emprego de Sintra 18.000 desempregados. Diárias procissões nas filas do desencanto, procissão renovada de suplentes da vida, a geração sem remuneração está minada pela desesperança e incomoda-se, e incomodando-se, incomoda-nos. Quem não tem um filho, um primo, um sobrinho que já caiu ou está prestes a cair neste tumulto, nova lepra dos novos anos de chumbo? Pensar que aos vinte e dois anos, depois de licenciado, apenas demorei poucos meses para arranjar um emprego, e nunca desde então deixei de o ter, e hoje, perto dos trinta e cinco, pessoas há que pasmados olharam para um contrato sem termo como quem olha o original da Bíblia, com a estupefacção de ter visto algo raro, é algo que dá que pensar e naquilo que fizemos ou deixámos fazer desta sociedade, onde de repente, aflitos, procuramos o Nós depois de anos a exaltarmos o Eu.
Despedidos da vida, licenciados sem saída, um Estado forçado a ser magro e para onde apesar dos cantos de sereia eleitoral não se pode olhar, mais que ocupar praças e militantes dormir no chão, necessário se torna, isso sim, é sem hesitações depressa levantar desse chão. Não é tarde para ter um passado,  é demasiado cedo para desistir do futuro. E esse constrói-se com perseverança, união de esforços, atacar o dito “sistema” por dentro e não só com acções emblemáticas que depois dos telejornais e dos talk-shows disso mais não passam. Minar os partidos do poder, para que por dentro se possa chegar ao âmago de quem decide, não aliviar a pressão, enfrentar o sistema com as suas próprias armas. Não esquecer que Tróia foi conquistada, não após meses de cerco, mas depois que um cavalo de madeira para lá transportou os que contra ela lutavam e já espalhados pela cidade.
Os dezoito mil que diariamente esperam na fila, montando o cerco, mais os dezoito mil que em breve lá podem ir parar, mais todos os outros mil que querem que esses dezoito mil desapareçam da fila, têm de unir esforços, tomar o poder por dentro, construir o cavalo, para, mudando as políticas e os actores mudar a Economia da Descrença que larvar deste país se apoderou.
A democracia é um território de afectos, alguém disse. Sem trabalho e sem futuro não haverá afecto por uma democracia padrasto território de precários e descrentes. E da paixão à descrença, da descrença à ruptura, o território de afectos da democracia pode silencioso gerar novos ódios, e com eles a vinda de providenciais salvadores, embora hoje sem real poder para salvar, morta a Europa das Nações. Sem emprego e sem futuro não há democracia, esta é o território dos homens livres e sem dinheiro ou futuro, e sobretudo sem esperança, ninguém  pode reclamar ser homem livre. Logo, há entre nós aflitos setecentos mil sonhos para sonhar e já aqui perto, dezoito mil deles pelo menos. Façamos que dezoito mil sonhos voltem a sonhar, começando pela arma que, bem usada, ainda pode vencer muitas guerras: o voto, lúcido, empenhado, diariamente vigiado pelos seus militantes donos, depois do seu singelo depósito. Para quem vive e sobrevive em Sintra, que em 5 de Junho vá às urnas tendo estes dezoito mil motivos no pensamento, e pode ser que um dia alguns dos sonhos, pelo menos, caibam dentro das urnas.

Um PDM de Segunda Geração

A revisão do PDM de Sintra, já com um ano de atraso, deve ser um  processo de negociação, debate, transparência e participação que permita aos actores e agentes económicos sociais e culturais verter para um quadro actualizado as preocupações com o desenvolvimento, analisando as patologias e virtualidades do actual PDM de 1ª geração na mira do concelho (ou concelhos) de Sintra que se quer para os próximos anos.
Nessa perspectiva, e sabendo que o quadro global se sacrifica sempre ao binómio primário e redutor do mais ou menos betão, alguns aspectos veria com interesse aprofundar, a saber:
1)  um quadro geral em que a pró-acção fosse a captação de investimentos sustentáveis e geradores de  qualidade e receita qualitativa, através dum quadro urbanístico, ambiental e fiscal claro e supervisionado por uma Agência Municipal de Investimentos.
2) fazer coincidir as ambições de gestão do território das várias entidades num mesmo espaço categorial, seja no PNSC, PDM, PP’s ou outras servidões administrativas vinculativas para a gestão do território sintrense. Por que não criar uma área da paisagem cultural de Sintra, coincidente com a área do Património Mundial e com ela conjugar as perspectivas de defesa e promoção do património, turismo e actividades económicos pretendidas e defesa ambiental?.
3) promover a concentração da construção nos espaços urbanos ainda não exauridos e requalificar os  existentes, fruto do desordenamento e gestão casuística das décadas anteriores, mas criando em condições de justiça, equidade e proporcionalidade condições para que os proprietários diminuídos na sua possibilidade de edificar possam ver os seus terrenos potenciados e estimulados para outros fins, com o correspondente desagravamento fiscal.
4) promover uma carta de redes que permita integrar e orientar as intervenções dos fornecedores de serviços públicos e assim planear o seu modus operandi, bem como reforçar o papel de autoridades locais de transportes e acessibilidades.
5) sendo o PDM um plano de estabilidade mais duradoura, agilizar o processo da elaboração de planos de pormenor que estariam em actualização permanente, abertos à sociedade e ao escrutínio dos destinatários duma verdadeira Democracia do Território.
Estes e outros temas parecem basilares num momento em que novas realidades se impõe e os cidadãos são cada vez mais penalizados por decisões em que não foram ouvidos e se demonstra não terem razoabilidade senão numa óptica de nada fazer e tudo se permitir por inacção.
Na óptica da revisão do PDM de Sintra, e tendo em conta a necessidade de uma cultura de participação e sustentabilidade versus planeamento dogmático e redutor, há que adoptar critérios de Governação do Território que deixem ao PDM mais um papel de estratégia e aos planos mais concretizados a acção e intervenção necessários.
Deve um instrumento como o PDM defender o conceito de Direito ao Território e não o Direito á Construção.
Na sua revisão, alguns tópicos para discussão:
1-Ponderar a possibilidade de elementos urbanos em espaços rurais pois o conceito de espaços delimitado é demasiado estanque e redutor, deixando de fora os direitos dos proprietários rurais, suas famílias e actividades económicas (extinguindo-as, na prática).
2-Definir quais e o que são áreas urbanas programadas (bem como aliás outros conceitos indeterminados e semânticos geradores de duplicidade de apreciação).
3-Reduzir as áreas urbanizáveis para critérios de sustentabilidade e adequação com as infra estruturas existentes, de modo a não criar a necessidade de investimentos não programados ou desejáveis numa lógica de ir atrás em vez de ser fio condutor.
4-Criar um capítulo para análise do mercado imobiliário e das mais valias expectáveis com as intervenções previstas e permitidas, de modo a “domesticar” a especulação imobiliária.
5-Definir um quadro prático de promoção de habitação, tendo em conta as suas carências efectivas, bem como, nas zonas rurais,as dos agricultores e suas famílias,as segundas residências,etc, travando a política de “expulsão” que tem atirado as segundas gerações de moradores para os subúrbios e criando bolsas de terrenos que pela dificuldade de construir apenas podem ser adquiridos por segmentos endinheirados que nenhuma actividade económica multiplicadora trazem consigo.
6-Mapar as zonas de risco e as dos recursos naturais (ex. mapa das zonas de incêndio, cheias, sismos, energia etc, também elas zonas  sensíveis mais que as ambíguas zonas de “protecção e enquadramento”, verdadeira cartola donde tudo pode surgir ainda que tudo simule proibir)
7-Definir a rede ferroviária e a rede de acessibilidades não só tendo o automóvel como centro mas a localização de serviços e os corredores para os empregos, escolas e equipamentos de saúde como prius.
8-Alterar a obrigatoriedade de plano de pormenor (moroso) para a aprovação de empreendimentos turísticos, criando uma figura de plano mais simplificado com a obrigatoriedade de estudo económico favorável vinculativo. Este aspecto subjaz a um outro mais profundo que é o de saber que tipo de turismo se pretende para Sintra,de molde a acabar com o actual modelo de excursionistas de 1 dia do triângulo Pena-Vila-Cabo da Roca e potenciar a oferta de sol mar natureza e cultura, dinamizando o turismo cultural e de  congressos.
9-Alterar as regras do uso de solos da RAN. De que serve desafectar um solo se depois se pede 1 hectare para construir? Esta afigura-se ser uma medida classista e discriminatória exemplificativa do “território para ricos” que por vezes emana do actual PDM.
10-Criar a Área de Paisagem Cultural de Sintra,englobando a área do concelho, do Parque Natural, POOC, Rede Natura 2000 e Centro Histórico,com homogeneidade de gestão. Esta foi a primeira a ser criada em 1994 depois da classificação como património mundial e paradoxalmente nunca foi expressa em nenhum instrumento de gestão territorial.
11-Criar um Agência Municipal de Investimentos,que promova as actividades económicas essenciais (na óptica do turismo, empregabilidade, fixação no terciário, lazer, habitação qualificada) e proponha uma política de apoios tributários que seja apelativa, passando pela prática reiterada de celebração de protocolos ou  contratos programa que desenvolvam um partenariado positivo e gerador de sinergias que se manifestem de modo permanente e não só no momento do licenciamento ou instalação.
12-Apostar numa cultura de participação de todos, reforçando as garantias dos particulares, a articulação com as entidades e clarificando as competências da autarquia. Se há sector onde a cultura de participação é menos visível é na do urbanismo e ordenamento do território, onde muitos tecnocratas vêm em planos  imperfeitos e conjunturais a Vaca Sagrada imutável e intolerante remetendo as aspirações de quem quer investir ou promover para o campo dos pecados veniais.

domingo, 22 de maio de 2011

E os eléctricos de Sintra?

Os eléctricos de Sintra parece terem hibernado uma vez mais, tornando-se uma saga de doente ligado à máquina mantido vivo só porque ninguém tem coragem de reconhecer que o seu tempo terminou. Não só porque numa óptica de economia do turismo e de análise custo/benefício são um elefante branco, um TGV de sinal contrário, não da alta mas da lenta velocidade, como o percurso não é hoje romântico, nem complementar da rede de transportes rodoviários, como era até aos anos setenta. Efectivamente, uma viagem que aspira os escapes dos carros que acelerados passam ao lado por trás de quintais desleixados ou grafitados, sem ligação com eventos que o integrem em visitas temáticas coerentemente organizadas, faz dele um velhinho simpático mas pouco mais que um cadáver adiado, não obstante o manancial de memória duma Sintra burguesa, dos pomares e dos ares da serra. Um debate sobre o eléctrico e sua viabilidade seria interessante, sem paixões românticas a favor ou economicistas contra, mas realistas, que respondam a questões muito simples: para quê? com quem? quem paga? . Tal como o famigerado teleférico que nunca veio, que outras opções em termos de oferta  romântica( e romântico não é sinónimo de obsoleto) podem surgir, enquadradas numa rede de percursos amigos do ambiente e ligados com a economia local, que não está toda (nem pouco mais ou menos....) ao longo da linha do eléctrico?Em estilo de almanaque, algumas informações. Sabia que:
-o eléctrico de Sintra foi aprovado por decreto do governo de 22 de Julho de 1899?
-que a construção da linha esteve a cargo de uma empresa francesa,a Darras e Cª,de Paris,sendo o projecto do engenheiro Lebastard Sagers?
-que o fornecedor dos eléctricos foi a empresa J.G.Brill Company,de Filadélfia,em 1903,num total de 13 unidades?
-que o primeiro eléctrico,guiado pelo engº Wan-der-Wallen fez o percurso de 8 km em 24m,a 27 de Março de 1904?
-que a inauguração do troço até Colares ocorreu a 31 de Março de 1904?
-que o total da linha era de 12.605m?
-que um bilhete de Sintra à Praia das Maçãs custava 200 réis?
-que a ligação ás Caves do Visconde Salreu ocorreu a pedido deste em 1924?
-que em 1937 só entre Sintra e a Praia das Maçãs se transportaram 48.310 passageiros?
-que em 1944 existiam 13 carros e 6 atrelados,dando o eléctrico trabalho a 100 pessoas?
-que o grande impulsionador do eléctrico entre 1923 e 1946 foi Camilo Farinhas?
-que o troço Praia das Maçãs-Azenhas do Mar funcionou entre 1930 e 1954?
-que em 1963 deixaram os eléctricos de ser azuis e passando,até hoje,à cor encarnada?


sábado, 21 de maio de 2011

Cultura e Lazer em Sintra 1950-1990


1950
 Por essa época, 1950,em Janeiro, o Carlos Manuel, hoje Olga de Cadaval, levava à cena “Dois maridos em apuros”, comédia em 3 actos pela companhia de Madalena Sotto/Assis Pacheco, enquanto o Sintra Cinema, na Portela, inaugurado em 1947, exibia o grande êxito do cinema americano, E Tudo o Vento Levou…
Diga-se que se organizavam carreiras especiais de autocarro para o cinema, sendo a ultima do dia, ligando Sintra, na Av.Desidério Cambournac às Azenhas do Mar. Em Março como habitualmente decorreu na Sociedade União Sintrense a Noite das Camélias, abrilhantada por Humberto Madeira e Artur Agostinho (já nessa altura...). Em 27 de Março, no salão de Galamares estreou “Colares terra de encantos” de Arlete Reis, com música de Fernando Moreira, enquanto Estefânea Vicente, da Vila Velha era eleita rainha das sociedades de recreio, em espectáculo onde brilharam o Imperial Jazz, de Colares, a orquestra Beira Mar, das Azenhas do Mar, e o artista da rádio Horácio Reinaldo. Na tradição da época, a 21 de Maio, o vice-presidente da Câmara, capitão Américo Santos, oferecia um bodo aos pobres, tendo sida gasta a módica quantia de vinte mil escudos!
A 9 de Julho, a grande festa do ano, que pôs em concurso as colectividades do concelho, num espectáculo no ring do Hóquei no Parque da Liberdade apresentado por Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, e locução de Cabral Rocha, da Rádio Graça. Integraram o júri entre outros Virgínia Vitorino e Lucien Donnat. Em época de Verão, também a 16 de Julho os jardineiros de Sintra promoveram a Festa da Dália na Sociedade dos “Aliados”, em S.Pedro, tendo actuado a orquestra Os Marmorites, de Pêro Pinheiro.
Agosto assinala o Festival de Sintra, no Carlos Manuel, a cuja comissão organizadora presidia o Visconde de Asseca, D. António Corrêa de Sá. O final do ano foi marcado pela polémica entre os que se manifestavam a favor da fusão entre “caracóis” e “papo-secos”, ou seja, os sócios das duas colectividades rivais de S. Pedro, Os Aliados e o 1º de Dezembro, com assanhadas manifestações a favor e contra. 
1951
A Sociedade União Sintrense é presidida por Manuel António Lourenço, e renovam-se as festas usuais (Noite das Camélias, com Maria Lemos, a orquestra “Boémia” entre outros, o Baile da Rainha nos Aliados).A Câmara que até então manifestara interesse em comprar o Casino, mostrou-se na altura desinteressada. Chega o Verão, e as festas sazonais: Em Julho, na SUS brilha o galã brasileiro da canção Odyr Odillon, e o Hóquei de Sintra inaugura o ringue do Parque da Liberdade. O Verão continua a trazer a Sintra vedetas da rádio, como a brasileira Alzirinha Camargo, enquanto em Setembro, no ginásio do Sintrense vai à cena “As Duas Causas”, ensaiado por António Gonçalves Amorim. Também no Mucifal, José Fernandes Badajoz apresenta “João o corta mar”.
Em Monserrate decorre uma exposição floral, e o Instituto de Sintra elege Oliva Guerra para presidente duma direcção que também contava com José Alfredo e José António de Araújo. Brilhante foi em Setembro o festival artístico do Hóquei: com locução de Leite Pereira, desfilaram Humberto Madeira, a orquestra Carioca, conduzida pelo maestro Fernando de Carvalho, Max, o tenor Tomé de Barros Queirós, Villarett, Odyr Odillon, Júlia Barroso, entre outros, tudo com o apoio da revista Flama. 1951 chega ao fim, nestes dias da rádio, com apresentação no Sintra-Cinema dos Companheiros da Alegria, de Igrejas Caeiro  e Irene Velez.
1952
Por essa altura brilhava em Sintra o Quarteto Cristal e em Colares a Orquestra Imperial Jazz, do maestro Fernando Moreira, sendo vocalista José Fernandes Badajoz. A tradicional Noite das Camélias é abrilhantada por Toni de Matos.
1953
A Noite das Camélias (foto abaixo)deste ano é abrilhantada pela Orquestra Copacabana, de Lisboa. Em Maio, o Sport União Sintrense (SUS) leva à cena “O Poder de Fátima” pelo grupo artístico Rentini. Em Setembro cabe a S. Martinho receber a Nossa Senhora do Cabo, sendo presidente da Comissão das Festas Eduardo Frutuoso Gaio.
1954
Em 30 de Setembro decorre a Noite do Mambo, no Sport União Sintrense.
1955
A 12 de Fevereiro decorre a Noite do Baião, na SUS, onde actuam entre outros o tenor Tomé de Barros Queirós e Mimi Gaspar. A 13 de Junho é inaugurado o Museu de Odrinhas.
1956
A 18 de Fevereiro na SUS é feita a eleição de Miss Estefânea, abrilhantada pela Orquestra Talismã. A 28 de Abril o cine-teatro Carlos Manuel inaugura o Cinemascope com o filme “Helena de Tróia" e a  12 de Maio o cénico de Colares leva à cena “O Anjo da Guarda”.
1957
Em Janeiro, Maria Almira Medina edita “Madrugada” a 27, a Orquestra de Domingos Vilaça abrilhanta A Tarde das Estrelas na SUS, a 2 de Junho é inaugurada a Casa Museu Leal da Câmara.
1958
Por essa altura, fazem sucesso as bandas “Os Mexicanos” de Galamares, ou a Orquestra Royal Star, de Sintra. A 15 de Julho, o Teatro de Gerifalto leva à cena no Largo Rainha D. Amélia, na Vila, a Farsa de Inês Pereira, com Rogério Paulo, Mário pereira, Fernanda Montemor, entre outros.Em Agosto decorrem as II Jornadas Musicais de Sintra e a 30 de Agosto o Ballet Verde Gaio actua em Monserrate.
1959
Decorre no casino uma grande festa de Carnaval, com Simone de Oliveira, Maria José Valério, e outros, animada por Vítor Lemos. O baile das Camélias deste ano é apresentado por Amadeu José de Freitas. A 3 de Maio a SUS promove a Noite das Rosas, com Luís Piçarra e António Calvário, entre outros, e o escultor Anjos Teixeira (pai) ganha o Prémio Soares dos Reis. Em Agosto decorre o III Festival de Sintra, com Nela Maissa e Maria Helena Sá e Costa, entre outros.
1960
Setembro:Roland Petit e Zizi Jeanmaire  fecham o festival de Sintra desse ano.
 1961
Em Fevereiro Laura Alves e sua companhia levam à cena “Boa Noite Betina!” no Carlos Manuel e em Outubro, nas bodas de ouro do Sport União Sintrense actuam Alice Amaro, António Calvário e Madalena Iglésias, no Carlos Manuel. Em Fevereiro, Laura Alves representa no Carlos Manuel “Criada para todo o Serviço” e os Bailados Verde Gaio de Fernando Lima actuam no Carlos Manuel. Em Agosto, a Filarmónica de Pêro Pinheiro fica em 2º lugar no Festival Mundial de Bandas, em Kerkrade, na Holanda, tendo uma recepção apoteótica à chegada. 
1963
Em Setembro, as festas de N.Sra do Cabo decorrem em S.Pedro de Penaferrim.
1964
25 de Janeiro, primeira apresentação do agrupamento musical sintrense “Diamantes Negros”(foto abaixo). Em Fevereiro o grupo cénico do Sintrense representa “O Natal do Zé Caniço” na Assafora. Sai o corso de Mucifal organizado por Agostinho Limpo, David Tomás e Miguel Lavrador entre outros(foi até à Vila, passando por Galamares). Em Maio o cénico do Mucifalense encena “Os Fidalgos da Casa Mourisca” . Em Agosto decorre o VIII Festival de Sintra e o XVII Concurso Hípico, no campo do Sintrense. Em Dezembro Francisco José actua no Colarense.
1965
 “Que mulheres!” vai à cena no teatro do Sintrense, na Estefânea. Volta a organizar-se o Carnaval do Mucifal, sendo do júri Natalina José,Leite Pereira, Nunes Correia e Fernanda Baptista entre outros. Em Março António Calvário e Paula Ribas actuam na Tuna Operária de Sintra e nos Limpos, no Mucifal, decorre uma “Noite de Estrelas”, com José Castelo, Fernanda Baptista e Mariette Pessanha entre outros.
Em Abril Toni de Matos actua no Colarense e em Junho o grupo cénico do Mucifal dirigido por David Tomás apresenta “Raça”. O IX Festival de Sintra é encerrado pelo presidente Américo Tomás a 1 de Setembro com a actuação da The Natural Youth Orchestra, do Reino Unido. Nesse ano, no reveillon do Hotel das Arribas actuam Toni de Matos, Mariema, Humberto Madeira, apresentados por Armando Marques Ferreira.
1966
Em Abril, Bénard da Costa ministra um curso de iniciação ao cinema no Palácio Valenças, exibindo Citizen Kane e em Agosto a banda de Pêro Pinheiro ganha o 3º lugar no concurso de bandas em Kerkrade, na Holanda.
1967
Em Novembro é inaugurada a nova sede de “Os Aliados” em S.Pedro(a actual).
1968
Em Junho a Tuna Recreativa Mucifalense leva à cena “O Morgado de Fafe Amoroso”.
1970
Em Agosto, inauguração das novas instalações da Biblioteca de Sintra no Palácio Valenças.
1971
A FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho) organiza em Abril um serão para trabalhadores em que participam entre outros Maria João Pires e Manuel Lereno e em Maio nos Encontros de Sintra participam entre outros Lagoa Henriques, Francisco Costa e António Quadros. Em Julho Lenita Gentil, Gina Maria, Hermínia Silva actuam no cine-teatro Carlos Manuel e Fernando Lopes Graça e Nela Maissa actuam no Festival de Sintra. Em Outubro Sequeira Costa e Maria Germana Tânger participam nos encontros de Sintra. Viana da Mota é homenageado em Colares, onde viveu na infância.
1972
Em Maio decorrem no Palácio Valenças os II Encontros de Sintra, com Hernâni Cidade, Tânia Achot, Vitorino Nemésio, Jorge Listopad entre outros.
1973
Em Abril Ferreira de Castro(foto acima) doa o seu espólio a Sintra e em Maio decorrem mais uns Encontros de Sintra. 
1974
Em Fevereiro, o Grupo Dramático do Mucifal leva à cena nos Bombeiros Voluntários de Colares a peça “Recordar é Viver”. Decorrem os IV Encontros de Sintra. Nesse ano morrem dois amigos de Sintra: Ferreira de Castro e Raul Lino. Em Setembro é assinada a cedência do espólio dos escultores Anjos Teixeira, pai e filho, à Câmara de Sintra.
1975
Inumação das cinzas de Ferreira de Castro na serra de Sintra(Maio) e inauguração da  estátua de D. Fernando II no Ramalhão (Junho).
1976
Em Fevereiro, o grupo Pérola da Adraga leva à cena na Sociedade Recreativa de Almoçageme, “A Pérola das Sogras”.
1977
Fevereiro. Na Sociedade de Fontanelas e Gouveia José Valentim Lourenço(foto abaixo) encena a revista “Minha Aldeia, Minha Gente” . José Alfredo inicia um ciclo de  crónicas no Jornal de Sintra, mais tarde reunida nas Velharias de Sintra. Em Abril a Sociedade Byron, de Londres, visita Sintra. Em Setembro é inaugurado o Museu Anjos Teixeira  
1979
Em Março, em Fontanelas sobe à cena a revista “Sangue na Guelra”, actuando a Orquestra Flor da Aldeia, de Fontanelas. Em Colares existia o conjunto musical Base, sendo vocalista Vítor Monteiro.
1980
Festejos de Nossa senhora do Cabo em S. Martinho.
1981
Em Fevereiro decorre o Encontro Nacional de Espeleólogos em Sintra.
1982
Inaugurado o Museu Ferreira de Castro.
1983
Em Maio renasce o Instituto de Sintra, com António Pereira Forjaz como presidente e Francisco Costa presidente da Assembleia Geral. Em Outubro morre António Medina Júnior, fundador e director do Jornal de Sintra, sucedido por Maria Almira Medina(foto abaixo)

1984
De 23 a 25 de Março decorre o I Encontro dos Agentes Culturais do Concelho de Sintra e em Abril a homenagem a José Fernandes Badajoz no cine-teatro Carlos Manuel. Também em Abril o grupo de teatro CIDRA, da escola secundária de Santa Maria leva à cena “Amor de Curtição” e decorrem IV Encontros de Sintra, com a participação, entre outros, de David Mourão Ferreira e Nela Maissa. Em Junho é o Festival Nacional de Folclore, em Belas e de Julho a Setembro o XIX Festival de Sintra. Em Agosto as Festas de Nossa Senhora do Cabo na Terrugem.
1985
Em Fevereiro o teatro da Sociedade União Sintrense leva à cena “Um Pedido de Casamento “ de Tchekov, e o Grupo Cénico “Os Filhos do Povo” de Montelavar apresenta na Cabrela “A Casa de Bernarda Alba” , encenada por Gil Matias .Em Maio, o grupo de teatro CIDRA apresenta “Foi como é”. 
Em Julho é o I Encontro de Poetas Populares do Concelho de Sintra e em Agosto as Festas de Nossa Senhora do Cabo em S. Maria e S. Miguel e o Congresso Internacional do Romantismo. Em Outubro João de Melo Alvim leva à cena na Sociedade União Sintrense “O Último Acto” de Camilo Castelo Branco.
1986
Em Março, no Sabugo, Gil Matias leva à cena “A Vizinha do Lado”.
1987
Em Março, o II Festival de Teatro Amador do Concelho de Sintra e as I Jornadas de Teatro de Sintra, participando grupos como Os Filhos do Povo, de Montelavar, o Teatro da Sociedade, de Sintra, Masgiruz, de Queluz e outros, na Sociedade União Sintrense. 
Em Maio nasce a Orquestra Regional de Colares, sob inspiração de David Tomás e Fernando Moreira e em Junho no Palácio Valenças decorre o I Colóquio de Etnografia da Região Saloia. Em Julho, o II Cortejo Histórico de Sintra. É anunciada a constituição do Chão de Oliva, que inclui o Teatro da Meia-Lua e a Escola de Iniciação ao Teatro.
Em Agosto a I Bienal de Arte de Sintra e em Setembro o II Congresso Internacional do Romantismo.
1988
É criado o Instituto D. Fernando II. Ana e António Sala actuam na Noite das Camélias. O Teatro da Meia Lua apresenta em Lourel “A Lenda da Nau Catrineta”. Em Março morre o escritor Francisco Costa(foto abaixo) e em Outubro decorre o I Mercado de Teatro de Sintra.
1989
Em Janeiro a CMS lança a revista “Sintria”, orientada por Cardim Ribeiro e estreia a Orquestra de Câmara D. Fernando II. Em Março José  Valentim Lourenço encena  “Bodas de Prata” na Sociedade Recreativa de Fontanelas e Gouveia e em Abril decorrem os III Encontros de Teatro Amador do Concelho de Sintra. Em Junho é exibida na União Mucifalense a peça “O Padre Piedade” e em Julho o Teatro da Meia-Lua representa Portugal no Festival Mundial de Teatro Amador no Mónaco, com a peça "Foi como é”. 
Em Novembro abre a Escola Profissional de Recuperação do Património e o Chão de Oliva apresenta “Comunidade” de Luís Pacheco no Casino.
1990
Decorre a I Trienal de Arquitectura de Sintra. Em Dezembro, o teatro da Veredas apresenta “As Aventuras de D.Quixote”, com Alfredo Brito e Pedro Wilson.
Em outra abordagem, falarei dos dias de hoje, de 1990 para cá. Realce para o facto de este tipo de cronologias não ser necessariamente exaustivo, havendo muitos mais eventos a referir, mas como sempre, esse é um work in progress, desde já lançando o convite a que outros factos não mencionados sejam transmitidos, a fim de se produzir uma informação útil em termos de história local.

Alemães em Sintra no tempo de D.Fernando

Se D.Fernando Saxe Coburgo-Gotha principe alemão, filho do Duque de Saxe Coburgo  e  da Princesa Kohary da Hungria foi o príncipe mecenas de Portugal, e de Sintra, em  Portugal, outros alemães que com ele vieram ou conviveram ajudaram a moldar a Sintra romântica do sec XIX com marcas ainda hoje visíveis.
Entre eles, Friedrich Welwitsch, biólogo que em 1839 foi nomeado director do Jardim Botânico da Ajuda, Wenceslau Cifka, austríaco que arborizou a serra de Sintra da forma que ainda hoje conhecemos, ou o dr  Kessler, médico do príncipe-rei, cujo filho construíu o elevador(ainda existente) da Nazaré. Mas também o músico Victor Hussla,compositor da "Suite Portuguesa",o pintor  Katzenstein, e seu irmão, Emil Biel, que introduziu a fotografia em Portugal, a luz eléctrica,o primeiro gramofone, ou o primeiro automóvel, um Benz. Inclusivé por essa altura vieram os pais de Alfredo Keil,o autor do hino nacional anos mais tarde.
De todos se destaca contudo o  barão von Eschwege(na foto abaixo),que veio para Portugal como mineralogista em 1803,e que lutou enquadrado  no exército português contra o exército napoleónico, até 1810,quando foi chamado ao Brasil por D.João VI,onde se manteve 11 anos, em trabalhos topográficos e levantamentos. Regressado a Portugal, foi promovido a general e nomeado Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, e a quem D.Fernando confiou a elaboração do projecto de transformar o convento jerónimo da Pena num monumento neo-gótico que representasse o imaginário de Portugal em pedra.
Também estes estrangeiros, portugueses de coração fizeram parte da história de Sintra

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Dialogue Cafe, aproximar pessoas, cidades e culturas

O projecto dos Dialogue Café, criados em Maio de 2010, e que contou com o patrocínio do Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Dr. Jorge Sampaio, surgiu  para que a distância não seja pretexto para a falta de diálogo, de compreensão, de intercâmbio entre cidades do mundo e de culturas. O mote para a Aliança das Civilizações - “Aproximar culturas para construir a paz” - encaixa na iniciativa. Num gesto simbólico, as duas primeiras cidades a acolher o Dialogue Cafe foram Lisboa e Rio. Outras aderiram depois a esta rede global de espaços de interacção entre povos e culturas: Londres, Ramallah, Florença, Doha, Amesterdão, Nova Iorque, Cairo.E como poderão comunicar tantas pessoas em simultâneo com apenas um ecrã? A imagem surge quando os microfones detectam vozes. E assim vai aparecendo, nos ecrãs de todo o mundo, quem estiver a falar no momento. Poder-se-á estar em conversa entre dezenas de cidades diferentes e ver os interlocutores em tamanho real. E sem confusões. Cada um aparece na sua vez. Se se interessam por temas globais e querem expressar as vossas opiniões, ou recolher as de outros, adiram. Endereços electrónicos:

Educar para defender o património

Estimular a cidadania ao promover a educação e as boas práticas para a defesa do Património deve ser tarefa de todos ao serviço do interesse colectivo. Com a vida moderna, as memórias do passado e a diversidade criada pela natureza têm vindo a ser  destruídas  ou adulteradas  sistematicamente. Não se respeita a história (as tradições e as obras das gerações anteriores) nem a natureza (os ecossistemas  na sua diversidade). Para que as futuras gerações tenham uma ideia da riqueza do que foi produzido, para que sobrevivam amostras dos valores produzidos pela natureza ou pela história, é necessário defender esse legado  contra a miopia cultural ou devassa  inconsciente. O  processo de reconhecimento do valor do património por parte da sociedade  no seu todo, é tarefa urgente que deve ser incentivada na senda da cidadania  pro-activa e na construção de uma  prática colectiva de respeito pelos bens patrimoniais (materiais e imateriais) que nos cercam.
O valor que atribuímos aos locais, objectos ou memórias é decorrente da importância que lhes atribui a memória colectiva. E é esta memória que nos impele a desvendar o seu significado histórico, valorizando-os como traço de união com o futuro que é já hoje. É possível  e necessário  um desiderato  que permita e exija a participação cívica e que gere o envolvimento da sociedade com os bens patrimoniais e naturais que são a nossa Herança Comum.
A educação deve primar pelo desenvolvimento de acção pedagógica que valorize os bens patrimoniais  formando uma consciência visando a sua preservação, compreensão e divulgação, como instrumento de alfabetização cultural, através do diálogo cultural com outros e de processos de sensibilização, sacudindo  as mentalidades, cultivando a sensibilidade inter-cultural e a consciência necessárias à formação de  um novo paradigma. De certa forma, consagrando um novo Direito/Dever do Homem.
Este processo pode interagir com o ensino formal (escolas), e o não formal (comunidade, actores culturais, associações culturais ou de defesa do património etc). A cultura tem de ser transmitida propiciando a possibilidade de manter  a própria identidade. É a alma dum  país expressa através de saberes, celebrações e formas de expressão do povo, “materializados” no artesanato, nos costumes das comunidades, na  gastronomia, nas danças e músicas, festas religiosas e populares, nas relações sociais de uma família ou de uma comunidade, nas manifestações artísticas, literárias, cénicas e lúdicas, seja em espaços públicos, populares, colectivos ou religiosos.
É imperioso que as escolas se empenhem nesta missão, levando os alunos aos locais degradados para os sensibilizar sobre o que ali existiu e ainda pode vir a existir, contar a História, seja do grande guerreiro seja da simples lagartixa ou do doce conventual, impregnar o desejo de ver o património recuperado, incentivar o voluntariado cultural para a vigilância da natureza e civismo (evitando graffittis, piqueniques selvagens, passeios de mota selvagens ou despejo de detritos, p.e). Esse o desígnio e tarefa dos actores sociais e culturais, na Escola ou na Sociedade, e das associações ao nível local. Porque não visitar a Sintra das ruínas e dos monos, consciencializando e formando jovens para serem cidadãos e autênticos Guardiães do Património?
Nesse sentido, o processo de ensino e aprendizagem pode tornar-se um instrumento no despertar de uma consciência crítica e de responsabilidade para com a sua preservação, indo ao encontro do pensamento de Paulo Freire, na busca de uma  atitude  que capacite o educando na escola ou o cidadão  na sua rua ou cidade a compreender a sua identidade cultural e a  reconhecer-se  de forma consciente nos seus valores próprios, aumentando o seu "sentimento do nós".A postura que tomarmos diante do ambiente em que interagimos transforma-o, propiciando a nossa própria transformação. E para tanto, torna-se  necessário interagir pela percepção do que o outro  nos possa revelar e fornecer em conhecimentos e costumes, saberes inatos que nos servirão de material para a comunicação do nosso saber. Aprender e Defender o Património é também fazer Portugal.
Por fim, e materializando o atrás descrito,uma proposta e um desafio: porque não criar e promover núcleos de defesa do património envolvendo autarcas e sociedade civil e funcionando ao nível das juntas de freguesia, de modo  permanente, informal e interventivo? Uma ideia a desenvolver.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Frederico Silva Pereira, primeiro deputado por Sintra

Sintra foi «cabeça de círculo» em 20 eleições. Nas três primeiras – 1852, 1856 e 1858 – foi círculo plurinominal elegendo 2 deputados, nas restantes 17 foi círculo uninominal. Sintra foi um círculo eleitoral com uma elevada rotatividade dos seus representantes, além de que a maioria não tinha raízes locais. Aliás, a proximidade com Lisboa, centro do poder, tornava o círculo palco da colocação de deputados por parte do Governo (já então…) assim contribuindo para a solidez da maioria governamental. Embora quase sempre se registasse concorrência eleitoral, os deputados eram eleitos por largas maiorias. Tal demonstra que Sintra era tida como um círculo eleitoral manipulável pelos chefes partidários que nele faziam eleger o candidato que lhes conviesse. 
 Frederico Guilherme da Silva Pereira (1806-1871) foi o primeiro deputado eleito por Sintra em 1852. Era natural de Monção, onde nasceu a 28 de Abril de 1806, e morreu em Lisboa, a 18 de Fevereiro de 1871. Casou com Ana Cândida dos Reis, filha do último capitão-mor e primeiro presidente da Câmara de Sintra Máximo José dos Reis Membro de uma numerosa prole, era irmão de Francisco Xavier da Silva Pereira, 1.º conde das Antas, de José Joaquim da Silva Pereira, marechal de campo, de António Júlio da Silva Pereira, de Joaquim Narciso da Silva Pereira, general de brigada, todos parlamentares, e  ainda de Adriano Augusto da Silva Pereira, escrivão da Relação do Porto. 
Aluno das disciplinas de Retórica e Antiguidades no Colégio das Artes(Coimbra), formou-se em Direito (1827) e fez carreira da magistratura,ascendendo a juiz do Tribunal da Relação do Porto e depois a juiz presidente do Tribunal da Relação de Lisboa. Fez parte da Maçonaria onde chegou a grão-mestre do Círculo Irlandês de Lisboa (1853 e 1871). Era fidalgo da Casa Real e comendador da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa. Foi ministro da Justiça e dos Negócios Eclesiásticos no governo regenerador do duque de Saldanha (1853-1856), gerindo também interinamente a pasta da Fazenda (Novembro de 1855 a Janeiro de 1856), quando o colega Fontes Pereira de Melo se ausentou em missão financeira ao estrangeiro. Daí em diante, nunca mais regressou à política activa, embora o seu nome tenha ainda figurado no elenco da Comissão Central Eleitoral do Partido Regenerador, a quando das eleições de Maio de 1858.
Foi eleito deputado em 1851, pelo círculo de Arcos de Valdevez, e reeleito em 1852 pelo círculo de Sintra. Na primeira legislatura foi membro das comissões de Verificação de Poderes e de Petições, esgotando a sua actividade e as suas intervenções no despacho dos pareceres delas provenientes.
Na legislatura de 1853-1856, em que representou Sintra, prestou juramento a 31 de Janeiro de 1853 e, de novo, a 24 de Dezembro desse ano, por ter saído «reeleito» pelo círculo de Sintra, no escrutínio suplementar realizado após ter terminado o mandato ministerial. Integrou, então, as comissões de Verificação de Poderes, Justiça, Legislação e Infracções (sendo membro-vogal desta última), bem como, em 1853, a importante Comissão Especial encarregada de dar parecer sobre o Bill de Indemnidade às ditaduras saldanhistas de 1851 e 1852. 

Silva Pereira apresentou um projecto de lei abolindo os castigos corporais militares, por serem «incompatíveis com a civilização e a humanidade» e defendeu um reforço de verbas para as obras públicas na região do Porto, em especial destinadas à reparação e conclusão da estrada Vila Nova de  Gaia-Lourosa. Foi quando sobraçou a pasta da Justiça (a partir de Setembro de 1853) que Silva Pereira passou a apresentar obra, não só na Câmara dos Deputados, mas também na Câmara dos Pares, onde interveio em diversas ocasiões no âmbito da gerência da sua pasta ministerial. Em nenhuma das suas iniciativas legislativas há qualquer referência a Sintra e ao seu concelho